O impacto do imposto sobre veículos de luxo na realidade financeira dos cariocas
O IPVA mais caro do Rio de Janeiro, de uma Lamborghini Revuelto, chega a R$ 323 mil, gerando reflexões sobre a desigualdade no pagamento de impostos.
Enquanto muitos motoristas do Rio de Janeiro se preocupam em parcelar o IPVA, um seleto grupo enfrenta boletos que equivalem a mais do que o preço de muitos carros comuns. Em 2026, o IPVA mais alto do estado pertence a uma Lamborghini Revuelto, avaliada em R$ 8.095.325, que tem apenas 23 unidades registradas no Brasil. Para um veículo desse porte, o imposto é de 4%, resultando em um valor exorbitante de R$ 323.813. Este montante, quando dividido em 12 parcelas, representa cerca de R$ 26 mil por mês, um valor que supera a renda média de muitos brasileiros.
A disparidade dos impostos sobre veículos de luxo
O proprietário de um supercarro como a Lamborghini não apenas lida com um IPVA exorbitante, mas também precisa arcar com custos adicionais significativos, incluindo seguro, manutenção e combustível. Esses fatores somados fazem com que a posse de um veículo desse tipo represente uma realidade financeira distante para a maioria dos cidadãos. Em comparação, o IPVA de automóveis populares é significativamente mais baixo, refletindo uma desigualdade fiscal que se torna ainda mais evidente ao se considerar que o imposto de uma única Lamborghini poderia cobrir anos de IPVA de dezenas de veículos populares ou até o custo de um apartamento em muitas cidades brasileiras.
As alíquotas do IPVA no Rio variam conforme o tipo de veículo e são calculadas com base no valor venal, que é o preço de mercado, conforme a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Para carros de passeio e veículos flex, o imposto é de 4%, enquanto motocicletas e similares pagam 2%. Veículos híbridos ou a gás natural (GNV) têm uma alíquota de 1,5%, e aqueles movidos exclusivamente a energia elétrica têm apenas 0,5%.
A presença das marcas italianas no ranking
Além da Lamborghini, as máquinas italianas dominam o ranking dos maiores IPVAs do Rio de Janeiro. Em segundo lugar, encontramos uma Ferrari 12Cilindri, com um valor venal de R$ 7.264.091 e um IPVA de R$ 290.564. Na terceira posição, a Ferrari Purosangue, avaliada em R$ 7.225.405, gera um imposto de R$ 289.016. Essa concentração de veículos de luxo entre as marcas italianas revela uma faceta do mercado automotivo que parece alheia à realidade da maioria dos motoristas.
Os vencimentos do IPVA de 2026 começam em 21 de janeiro, e os proprietários poderão optar por pagar o imposto em cota única, com um desconto de 3%, ou em até três parcelas. Essa flexibilidade, no entanto, não diminui a realidade de que para os proprietários desses supercarros, o imposto representa apenas uma fração das despesas totais necessárias para manter um veículo desse porte.
A diferença entre o custo de manutenção de um supercarro e de um veículo popular é um reflexo não apenas da disparidade econômica, mas também da política tributária que parece beneficiar os mais ricos, enquanto a classe média e baixa enfrenta um fardo maior em relação ao que pagam proporcionalmente ao seu poder aquisitivo. Assim, o debate sobre a equidade fiscal no Brasil se torna cada vez mais pertinente, especialmente em um contexto onde o luxo e a ostentação se destacam em contraste com as dificuldades enfrentadas pela maioria da população.
Fonte: www.moneytimes.com.br
Fonte: Reprodução
