Moradores do Irã denunciam que o bloqueio da internet facilitou ações violentas contra manifestantes durante protestos recentes
Irã corta internet para facilitar repressão violenta contra protestos que já deixaram milhares de mortos e presos, segundo relatos de moradores.
Nos últimos meses, o Irã tem vivido uma das ondas de protestos mais intensas de sua história recente, desencadeadas por uma crise econômica profunda e agravadas por questões políticas. Em meio a essa turbulência, o governo iraniano optou por um corte quase total da internet, estratégia que, segundo moradores, facilitou o uso de violência letal contra manifestantes.
O papel do bloqueio de internet na repressão
Desde 8 de janeiro, testemunhos indicam que as autoridades iranianas desligaram a internet para atuar com maior impunidade contra os protestos que se espalhavam rapidamente pelo país. O apagão digital não apenas dificultou a organização dos manifestantes como também bloqueou a divulgação de informações ao exterior, criando um vácuo midiático.
Segundo Zahra, moradora de Teerã, o bloqueio da internet foi um sinal claro de que o regime queria eliminar opositores sem controle internacional: “Cortaram a internet para poder matar impunemente”, afirmou, emocionada. A medida facilitou ações brutais de policiais armados, milícias paramilitares e da Guarda Revolucionária, que atacaram manifestantes com armas de fogo, facas e prisões arbitrárias.
Impactos da repressão nas comunidades iranianas
Os relatos coletados na fronteira com a Turquia mostram um país em choque. Reza, também de Teerã, destaca que muitas famílias conhecem vítimas da violência estatal e vivem com medo constante de represálias. “Na minha cidade, todos têm um amigo ou parente que foi assassinado”, disse.
Além das mortes, mais de 3.000 prisões foram reconhecidas oficialmente, embora entidades independentes estimem números muito maiores. Organizações como a Iran Human Rights apontam para pelo menos 3.428 mortos, e algumas sugerem que os números podem ultrapassar 10 mil, reforçando a gravidade da repressão.
Contexto econômico e social por trás dos protestos
A deterioração econômica, com inflação anual de cerca de 50% e desvalorização da moeda, agravou as condições de vida da população, motivando os protestos que começaram em 28 de dezembro. O posto de fronteira de Kapiköy, entre o Irã e a Turquia, virou ponto de passagem para quem busca fugir da repressão ou sobreviver por meio do comércio informal.
Reação da população e futuro incerto
Apesar do cenário adverso, os manifestantes continuam expressando insatisfação com o regime do Líder Supremo Ali Khamenei, a quem acusam de ditadura e responsabilidade pelas mortes. Muitos afirmam que o governo perdeu toda a legitimidade, mas reconhecem a falta de apoio internacional efetivo.
Enquanto as autoridades prometem uma retomada gradual da internet, o clima permanece de tensão e vigilância nas principais cidades iranianas, onde forças de segurança mantêm patrulhamento rigoroso. A repressão imposta e o bloqueio de comunicação evidenciam a tentativa do regime em controlar a narrativa e sufocar vozes dissidentes neste momento crítico para o país.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Reprodução/X
