Irã critica AIEA por politização na supervisão de programa nuclear

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, manifestou descontentamento em relação à atuação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), sugerindo que a agência deveria se abster de politizar relatórios técnicos se realmente deseja contribuir para uma solução diplomática. Ele observou que a supervisão da AIEA em algumas instalações iranianas foi comprometida devido a ataques externos, e não por falta de cooperação do Irã.

Gharibabadi criticou a AIEA por utilizar as consequências dos bombardeios realizados pelos Estados Unidos e Israel contra as instalações nucleares do Irã como base para criar “ambiguidade” em torno do programa nuclear do país. Essas declarações foram feitas após o envio de um relatório pela agência aos Estados membros, na quinta-feira (4), que não trouxe alterações significativas na avaliação do programa nuclear iraniano, mesmo em meio a intensos conflitos entre EUA e Israel, que têm como objetivo impedir o desenvolvimento de uma bomba atômica por Teerã.

Esse relatório, o primeiro desde os ataques aéreos no final de fevereiro, reiterou a necessidade de que o Irã esclareça o paradeiro de seus estoques de urânio enriquecido. A falta de supervisão sobre o urânio, que desapareceu após uma campanha de bombardeios em conjunto realizada no ano passado, tem gerado preocupação em relação à transparência do programa nuclear.

Os líderes dos EUA e de Israel, Donald Trump e Benjamin Netanyahu, respectivamente, têm reiterado que a destruição do programa nuclear iraniano é uma prioridade, especialmente após novos ataques em fevereiro. O estoque de urânio enriquecido é visto como um obstáculo nas negociações entre os dois países para encerrar o conflito, com Trump exigindo que o Irã desista desse material.

O relatório confidencial da AIEA, divulgado na mesma data, abordou a falta de acesso da agência para verificar a presença de urânio pouco e altamente enriquecido (HEU e LEU), incluindo o urânio com até 60% de pureza, que está a um passo dos 90% considerados grau militar. A AIEA expressou preocupação com a ausência de supervisão, que dura quase um ano, o que compromete a conformidade com o Acordo de Salvaguardas do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).

A agência ressaltou que a falta de continuidade do conhecimento sobre o material nuclear declarado nas instalações afetadas pelo ataque precisa ser abordada com urgência, enfatizando que essa lacuna de supervisão pode levar à perda de controle sobre a situação, o que é considerado um risco significativo em termos de proliferação nuclear.

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