O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, expressou uma forte condenação à recente declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou a intenção de utilizar ativos iranianos apreendidos para compensar danos causados a embarcações. Araghchi afirmou que essa prática estabelece um "precedente incendiário" e destaca que o confisco de ativos de uma nação para satisfazer reivindicações futuras não relacionadas pode ter consequências desastrosas.
Em uma publicação na rede X, nesta sexta-feira (24), o chanceler iraniano alertou que aqueles que se beneficiam dessa medida devem considerar que, uma vez que governos comecem a normalizar o confisco, não há garantias de segurança para os patrimônios de ninguém. "O caos que se seguirá não será bonito nem pacífico", enfatizou Araghchi, referindo-se aos potenciais desdobramentos dessa política.
A declaração de Trump, feita na quinta-feira (23), surgiu após ataques realizados por rebeldes houthis, aliados do Irã, a embarcações sauditas no Mar Vermelho. O presidente dos EUA afirmou que qualquer dano a navios ou cargas seria ressarcido com dinheiro iraniano que está sob controle dos Estados Unidos. Ele classificou essa abordagem como "justa e equitativa", mesmo reconhecendo que os prejuízos podem ser significativos.
A questão do desbloqueio de ativos iranianos é um dos pontos centrais do memorando de entendimento firmado entre o Irã e os Estados Unidos em junho. No entanto, esse acordo não tem sido cumprido por nenhuma das partes até o momento, complicando ainda mais as relações entre os dois países.
Estima-se que os ativos iranianos congelados, que estão alocados em diversas redes financeiras ao redor do mundo, variem entre US$ 124 bilhões e US$ 167 bilhões, segundo veículos de imprensa e analistas iranianos. A situação no Estreito de Ormuz, onde o Irã tem realizado ataques a navios, e no Estreito de Bab el-Mandeb, alvo de bloqueios pelos Houthis, também agrava a tensão regional.