Neste sábado, 18 de abril, o Irã anunciou a reimposição de restrições à navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais essenciais do mundo. Essa decisão gerou um aumento nas tensões com os Estados Unidos, com autoridades iranianas afirmando que as declarações do presidente Donald Trump a respeito da situação na via "não têm valor". As autoridades alertaram que embarcações que se aproximarem da área poderão ser tratadas como aliadas do "inimigo".
Recentemente, embarcações comerciais relataram ataques na região, sendo que o Irã admitiu ter disparado contra dois petroleiros indianos que transitavam pelo estreito. O governo iraniano justificou a ação como uma tentativa de afastar os navios da rota. Autoridades indianas confirmaram o ataque e exigiram explicações de Teerã, além de solicitar a restauração das condições de travessia para embarcações com destino à Índia.
Um dos petroleiros atingidos seria um superpetroleiro indiano que transportava cerca de 2 milhões de barris de petróleo iraquiano. Apesar dos disparos, a tripulação e a embarcação não sofreram danos. O incidente gerou preocupações sobre possíveis impactos no fornecimento global de energia, uma vez que o Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% do petróleo mundial.
A decisão do Irã reverteu um movimento anterior, quando o país havia anunciado a reabertura da passagem no estreito. Agora, o governo iraniano afirmou que as restrições continuarão enquanto os Estados Unidos não suspenderem o bloqueio imposto aos portos iranianos, considerando essa medida americana uma violação de acordos recentes e acusando Washington de "pirataria" no Golfo.
Esse novo atrito revela a fragilidade das relações entre os dois países. Após um período de expectativa quanto a um possível acordo, o Irã decidiu retomar o controle rígido da passagem. A Marinha da Guarda Revolucionária enfatizou que qualquer embarcação que se aproximar do estreito poderá ser alvo de ações, caso seja considerada colaboradora de forças adversárias. Além disso, houve uma advertência direta à Marinha dos EUA, que, segundo autoridades iranianas, poderá sofrer um "duro golpe" em caso de confronto.
Apesar das crescentes hostilidades, tanto Washington quanto Teerã indicaram que as negociações diplomáticas ainda estão em andamento. O Irã está analisando novas propostas dos EUA, enquanto Trump declarou que as conversas continuam em um tom "muito bom".