Judiciário iraniano afirma que jovem detido não foi condenado à pena capital em meio à onda de protestos
Irã nega que manifestante Erfan Soltani tenha sido condenado à morte, enquanto repressão aos protestos intensifica-se no país.
O Irã afirmou oficialmente nesta quinta-feira (15/1) que Erfan Soltani, manifestante de 26 anos preso em Teerã, não foi condenado à morte. A declaração ocorre no contexto dos protestos que começaram em dezembro de 2025 e têm desafiado o regime dos aiatolás. Autoridades judiciais iranianas desmentem as informações iniciais sobre a pena capital, que foi amplamente divulgada por organizações de direitos humanos.
Contexto dos protestos e repressão no Irã desde dezembro de 2025
Desde o final de 2025, o Irã enfrenta uma série de manifestações que começaram com críticas econômicas e evoluíram para protestos políticos contra o governo. A repressão violenta já causou milhares de mortes, com estimativas que variam de quase 3 mil até 12 mil vítimas, segundo organizações internacionais. A maior parte dos mortos tem menos de 30 anos, incluindo estudantes, evidenciando a força jovem do movimento. O caso de Soltani ganhou destaque por simbolizar a repressão estatal.
Impactos das acusações e resposta internacional
A suposta condenação à morte de Erfan Soltani gerou reações internacionais, incluindo ameaças dos Estados Unidos de respostas energéticas caso execuções fossem confirmadas. A Anistia Internacional exigiu a suspensão imediata de todas as penas de morte. O governo iraniano, por sua vez, acusa Washington de tentar justificar uma intervenção militar, enquanto a missão iraniana na ONU responsabiliza os EUA e Israel pelos protestos, qualificando-os como violentos.
Condições atuais no Irã e fechamento temporário do espaço aéreo
Paralelamente à crise política, o Irã fechou seu espaço aéreo a voos comerciais por mais de quatro horas na madrugada de quinta-feira, sem explicações oficiais, aumentando a tensão regional. Posteriormente, a Autoridade de Aviação Civil garantiu o funcionamento dos aeroportos, permitindo voos de entrada e saída, em meio a preocupações com a estabilidade interna e reações internacionais.
Perfil de Erfan Soltani e sua prisão durante os protestos
Erfan Soltani, funcionário de uma loja de roupas, foi preso no dia 8 de janeiro em uma área ao noroeste de Teerã após participar dos protestos. Sua detenção e a notícia inicial de uma sentença de morte chamaram a atenção para o endurecimento da repressão do regime. A família recebeu informação sobre o adiamento da execução, mas o governo não forneceu detalhes adicionais sobre a mudança na decisão judicial.
O caso de Soltani simboliza o embate entre a população jovem e o governo iraniano, refletindo um cenário de instabilidade política e social que permanece sem resolução imediata. A evolução dos eventos será monitorada, especialmente quanto à possibilidade de novas condenações e à resposta da comunidade internacional.
Fonte: www.metropoles.com
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