O presidente do Irã declarou que o memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos não inclui seu programa de mísseis, afirmando que essa questão “nunca constará” no documento. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Islamabad, ao lado do primeiro-ministro do Paquistão, nesta terça-feira (23).
O líder iraniano destacou que o país não está disposto a negociar suas capacidades defensivas com nenhuma nação. Ele acredita que a paz e a estabilidade na região podem ser alcançadas somente por meio de diálogos honestos e cooperação entre os países do Oriente Médio. “A questão dos nossos mísseis não consta no memorando que firmamos, e jamais constará. Se não tivéssemos nossos mísseis — que servem para nossa autodefesa —, Israel e os Estados Unidos teriam atacado o Irã como fizeram com Gaza, sem mostrar qualquer misericórdia”, afirmou.
O presidente do Irã, cuja identidade não foi mencionada, se reuniu com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, logo após chegar à capital do país. A coletiva contou também com a presença do vice-premiê e ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Muhammad Ishaq Dar, além do chefe do Estado-Maior do Exército e comandante das Forças de Defesa, marechal de campo Syed Asim Munir.
Recentemente, o Paquistão e o Catar atuaram como mediadores em negociações entre os EUA e o Irã, com o intuito de alcançar um acordo duradouro para encerrar a guerra no Oriente Médio. Durante as conversas realizadas na Suíça, os dois países concordaram em estabelecer um mecanismo para pôr fim aos conflitos entre Israel e o Hezbollah no Líbano.
Além disso, foi aberto um canal de comunicação para garantir a passagem segura de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz, uma importante rota para o abastecimento global de petróleo, que o Irã bloqueou durante o conflito. O Irã tem utilizado drones kamikaze, como o Shahed-136, em suas operações de guerra, o que tem gerado preocupação entre as nações vizinhas e a comunidade internacional.