Iran busca negociar após aumento de mortes em protestos

Agência

Trump afirma que Teerã está disposta a dialogar em meio a crescente repressão

Trump anuncia que Irã deseja negociar, enquanto mortes em protestos aumentam.

DUBAI, Emirados Árabes Unidos — O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o Irã está interessado em negociar com Washington após ameaçar retaliar em resposta à violenta repressão aos protestos no país, que já resultaram em pelo menos 544 mortes. A declaração de Trump coincide com a visita do ministro das Relações Exteriores de Omã, que atuou como mediador entre os dois países, a Teerã neste fim de semana.

A reação do Irã aos comentários de Trump ainda não foi direta. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou a diplomatas estrangeiros em Teerã que a situação está sob controle, responsabilizando Israel e os EUA pela violência, sem apresentar provas. Ele alegou que as manifestações se tornaram violentas para justificar uma intervenção dos EUA. Contudo, Araghchi também declarou que o Irã está “aberto à diplomacia”. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que um canal de comunicação com os EUA permanece aberto, mas que as conversas devem respeitar os interesses mútuos, evitando negociações unilaterais.

Enquanto isso, a resposta do governo iraniano aos protestos inclui a mobilização de dezenas de milhares de manifestantes pró-governo nas ruas, demonstrando apoio ao regime do líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei. A televisão estatal iraniana transmitiu imagens de multidões gritando “Morte à América!” e “Morte a Israel!”, evidenciando a polarização da situação no país. O procurador-geral do Irã já anunciou que protestantes enfrentam penas severas, incluindo a morte.

Trump e sua equipe de segurança nacional estão considerando várias respostas ao Irã, incluindo ciberataques e potenciais ataques diretos, conforme discutido em reuniões internas da Casa Branca. Trump declarou que opções robustas estão sendo avaliadas, afirmando: “Se eles [o Irã] fizerem isso, nós os atingiremos em níveis que nunca foram atingidos antes”. Ele também mencionou que a administração está tentando agendar uma reunião com Teerã, mas que ele pode ter que agir antes que isso aconteça devido ao aumento da repressão e do número de mortos.

A situação dos direitos humanos no Irã continua alarmante, com mais de 10.600 detidos desde o início dos protestos, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem um histórico de precisão em reportar a violência no país. O número de mortos inclui tanto manifestantes quanto membros das forças de segurança.

Com a internet bloqueada e as linhas de comunicação cortadas, a avaliação da situação nas ruas do Irã se tornou extremamente difícil. A falta de informações está preocupando muitos, pois permite que linhas duras dentro das forças de segurança do Irã se sintam mais encorajadas a reprimir os protestos de forma ainda mais violenta.

As manifestações começaram em 28 de dezembro em resposta à desvalorização da moeda iraniana, que comercializa a mais de 1,4 milhão de riais por dólar, em um contexto de sanções internacionais que afetam a economia do país. As manifestações se intensificaram, tornando-se um desafio direto ao regime teocrático do Irã.

Na segunda-feira, a televisão estatal iraniana mostrou imagens de manifestantes se dirigindo à Praça Enghelab, enquanto chamava a população a participar do que descreveu como uma “revolta iraniana contra o terrorismo americano-sionista”, ignorando as reais causas da insatisfação popular. A programação também incentivou os cidadãos a se manterem longe das manifestações, alertando sobre a presença de grupos armados.

Em suma, a situação no Irã continua a ser tensa e incerta, com o governo pressionado por protestos internos e a possibilidade de intervenções externas, enquanto a população enfrenta um futuro incerto em meio a um regime repressivo.

Fonte: www.military.com

Fonte: Agência

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