Israel nega entrada de menino para tratar câncer devido a seu endereço

Decisão judicial levanta questões sobre políticas de saúde e direitos humanos.

Política de saúde de Israel questionada após recusa em permitir tratamento a menino de cinco anos com câncer.

Um tribunal em Jerusalém se posicionou contra a entrada de um menino palestino de cinco anos, Mohammed Abu Assad, para receber tratamento no Hospital Tel Hashomero, em Israel. O garoto, diagnosticado com um câncer considerado agressivo, enfrenta uma corrida contra o tempo, especialmente após o esgotamento das opções de tratamento na Cisjordânia, onde reside desde bebê.

Contexto Histórico da Questão de Saúde em Israel e Palestina

A situação de acesso à saúde na região é complexa e marcada por tensões políticas e sociais. Desde a criação do Estado de Israel, em 1948, a relação entre Israel e as áreas palestinas tem sido repleta de conflitos. O acesso a cuidados médicos, em particular, tem se tornado um ponto crítico, com diversas restrições impostas a pacientes palestinos que buscam tratamento em Israel. Muitos, como Mohammed, acabam sendo vítimas de uma burocracia que não leva em consideração as necessidades imediatas de saúde.

As políticas de saúde de Israel frequentemente são vistas como discriminatórias, uma vez que se baseiam em critérios como o endereço registrado dos pacientes. Este foi o caso de Mohammed, que, embora tenha vivido em Ramallah, na Cisjordânia, é registrado como morador de Gaza. Isso gerou uma negativa de entrada, apesar das recomendações médicas que indicavam a urgência do tratamento.

Detalhes do Caso

Segundo a organização israelense de direitos humanos Gisha, que tomou a frente do caso, a decisão do tribunal foi baseada em uma política que restringe o acesso a cuidados médicos essenciais a palestinos, unicamente por causa de sua localização geográfica. Um médico israelense havia até alertado sobre os riscos de transferir Mohammed para o exterior, reforçando que o tratamento de que ele necessita está disponível nas proximidades. O garoto já havia recebido tratamento na Cisjordânia, mas com as opções se esgotando, a urgência de uma imunoterapia seguida de transplante de medula óssea tornou-se crítica.

A recusa do tribunal não é um caso isolado. Essa situação ressalta uma prática mais ampla que afeta milhares de palestinos que lutam por cuidados médicos adequados. De acordo com relatórios, cerca de 11 mil pacientes palestinos com câncer estão atualmente presos em Gaza, enfrentando dificuldades extremas para acessar tratamentos essenciais devido ao bloqueio e restrições de movimento.

Impactos e Consequências Futuras

A negativa do tratamento a Mohammed não é apenas uma questão de saúde individual, mas reflete um sistema que, segundo a Gisha, condena crianças à morte. Essa abordagem levanta sérias questões éticas e morais sobre a responsabilidade de um Estado em garantir acesso a cuidados médicos, especialmente em situações de emergência.

Com as mortes relacionadas ao câncer triplicando em Gaza desde o início das hostilidades, muitos se questionam sobre o impacto a longo prazo dessas políticas na saúde da população palestina. A recusa em permitir que Mohammed receba tratamento pode ter repercussões não apenas para ele, mas para outros pacientes que se veem em situações semelhantes.

Conclusão

A decisão do tribunal em negar o acesso ao tratamento médico para Mohammed Abu Assad serve como um alerta sobre as barreiras que muitos palestinos enfrentam em busca de cuidados essenciais. À medida que a comunidade internacional observa, a necessidade de uma abordagem mais compassiva e humana em relação ao acesso à saúde se torna cada vez mais urgente. A luta de Mohammed é um reflexo das lutas de muitos outros, clamando por dignidade, esperança e a possibilidade de tratamento que pode salvar vidas.

Fonte: www.metropoles.com

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