CEO do JPMorgan sugere aplicar teto de 10% em Vermont e Massachusetts para avaliar impacto
Jamie Dimon sugere aplicar limite de 10% nos juros do cartão de crédito em Vermont e Massachusetts para testar consequências antes de adoção nacional.
Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, manifestou forte oposição à proposta do presidente Donald Trump para limitar a taxa de juros dos cartões de crédito a 10%. Durante um painel no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Dimon classificou a medida como um “desastre econômico” que poderia levar a uma redução significativa dos serviços de crédito para 80% dos americanos.
O contexto da proposta de limite
A iniciativa de Trump para que os bancos voluntariamente reduzam a taxa de juros dos cartões entrou em vigor na terça-feira, mas grandes instituições financeiras relataram não ter alterado suas taxas, ainda que não tenham se manifestado publicamente. O presidente havia pedido que a medida valesse por um ano, enquanto grupos políticos, incluindo os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren, apoiam legislação para fixar esse teto em 10% por cinco anos.
A sugestão de Dimon para um teste regional
Para resolver o impasse, Dimon propôs que o governo federal implemente o limite apenas em dois estados — Vermont e Massachusetts — para avaliar os efeitos práticos da medida. Esses estados são conhecidos por sua liderança progressista e por serem base eleitoral dos senadores que defendem o teto nos juros.
“O governo dos EUA deveria forçar todos os bancos a aplicar o limite nesses dois estados e ver o que acontece”, afirmou, provocando risos na audiência do fórum. Segundo ele, a experiência poderia trazer insights reais sobre o impacto da medida.
Consequências previstas para consumidores e setores econômicos
Dimon destacou que, na pior das hipóteses, haveria uma redução drástica no crédito disponível, o que afetaria não apenas os consumidores dos cartões, mas também setores como restaurantes, comércio varejista, turismo e serviços públicos. Ele mencionou que atrasos em pagamentos essenciais, como água, poderiam aumentar devido à dificuldade financeira provocada pelo limite.
Reação e próximas etapas
Bancos, inclusive o JPMorgan, resistem à ideia de controles de preços, argumentando que isso reduz receitas bilionárias e pode levar ao cancelamento de contas de cartões para muitos clientes. O CEO afirmou que a instituição planeja fornecer ao governo uma análise detalhada dos possíveis efeitos de um teto nacional nas taxas de juros dos cartões.
Apesar do ceticismo, a proposta de Trump e o debate sobre o limite de juros seguem em pauta, com o mercado e legisladores observando atentamente as repercussões de eventuais mudanças regulatórias no setor financeiro.
“Acredito que o governo não deveria se envolver extensivamente na precificação, mas temos que lidar com a realidade que temos”, concluiu Dimon, reforçando sua posição contrária ao controle amplo sobre taxas de juros.
Este episódio reforça a complexidade do equilíbrio entre proteção ao consumidor e sustentabilidade do crédito no sistema financeiro americano, especialmente em um momento de crescentes debates sobre regulação e justiça econômica.
Fonte: www.cnbc.com
Fonte: CNBC
