‘Josephine’: Filme que já merece Oscar antes da temporada acabar

Beth de Araújo, an official selection of the 2026 Sundance Film Festival. Courtesy of Sundance Institute photo by Greta Zozula

A nova obra de Beth de Araújo impacta com tema relevante e atuações marcantes

Com temas fortes e atuações poderosas, 'Josephine' já se destaca na corrida ao Oscar de 2026.

Antes mesmo de a temporada de premiações deste ano chegar ao fim, o filme ‘Josephine’ já se destaca como um forte candidato para a próxima edição do Oscar. Apresentado na competição dramática dos EUA no Festival de Sundance, o filme conquistou tanto o Grande Prêmio do Júri: Dramático quanto o Prêmio do Público: Dramático, sendo a primeira produção a conseguir ambos desde ‘Minari’ em 2021 e ‘CODA’ em 2022. Essa conquista não apenas evidencia o reconhecimento crítico, mas também ressoa profundamente com o público.

Conquista e reconhecimento

A crítica de cinema da Variety, Peter Debruge, descreve ‘Josephine’ como um dos destaques do festival, ressaltando a ousadia da diretora e roteirista Beth de Araújo em abordar a intersecção devastadora entre sexo e violência em nossa cultura. Em sua análise, Debruge elogia a forma como de Araújo confia na capacidade do público em interpretar as complexidades dos personagens, o que resulta em uma narrativa que cativa e perturba em igual medida.

O filme agora se prepara para sua próxima exibição no Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde competirá pelo Urso de Ouro, solidificando ainda mais sua relevância no cenário global. ‘Josephine’ é a segunda obra de de Araújo, que já havia sido indicada ao Gotham Award por sua estreia em ‘Soft and Quiet’. Esta nova produção mostra um aumento significativo na ambição e na profundidade emocional da cineasta.

A trama impactante

A narrativa gira em torno de Josephine, uma menina de 8 anos interpretada por Mason Reeves, que testemunha um crime violento no Parque Golden Gate, em São Francisco, enquanto passa o dia com seu pai, vivido por Channing Tatum. O trauma resultante leva a personagem a uma espiral de comportamento autodestrutivo enquanto busca um senso de segurança em um mundo que já não o oferece.

‘Josephine’ é, sem dúvida, uma das representações mais comoventes e visualmente impactantes do trauma sexual no cinema contemporâneo. Apesar de seu tema difícil, é exatamente essa complexidade que torna o filme imperativo para ser visto, especialmente em um momento em que questões de direitos das mulheres estão sendo constantemente relegadas ao segundo plano nas discussões públicas.

Atuação memorável e equipe envolvida

Mason Reeves entrega uma performance que pode ser considerada geracional, evocando comparações com atuações marcantes de Dakota Fanning em ‘Man on Fire’, Jacob Tremblay em ‘Room’ e Quvenzhané Wallis em ‘Beasts of the Southern Wild’. O histórico das indicações ao Oscar para atores mirins é escasso, sendo apenas dois deles, Wallis e Keisha Castle-Hughes, a receberem indicações na categoria de Melhor Atriz, o que torna a performance de Reeves ainda mais digna de nota.

Além disso, Channing Tatum e Gemma Chan desempenham papéis cruciais que impulsionam a narrativa. Tatum, como o pai Damien, traz uma masculinidade contida e angustiante, enquanto Chan, como a mãe Claire, apresenta uma interpretação sutil e poderosa que expressa a culpa e a impotência materna de forma marcante.

Reflexões sobre o futuro do filme

Com uma trilha sonora atmosférica do compositor Miles Ross, ‘Josephine’ emerge como um filme que não apenas explora o trauma, mas também a resiliência e os laços não ditos entre pais e filhos. Embora o filme aborde assuntos pesados, ele também se revela uma meditação esperançosa sobre a sobrevivência e a conexão humana.

Distribuidores interessados em adquirir ‘Josephine’ precisarão de uma campanha de marketing ousada, pois seu conteúdo não é de fácil digestão, mas é vital. A hesitação em torno de sua aquisição parece menos ligada ao custo, que varia entre 5 e 6 milhões de dólares, e mais ao risco comercial percebido em função do tema sério abordado, apesar do bom boca a boca entre o público e profissionais da indústria.

‘Josephine’ se destaca em um ano cheio de contendores de prestígio, não apenas como um filme, mas como um reconhecimento cultural. Com sua mensagem urgente e impactante, a obra de Beth de Araújo promete ser uma das mais memoráveis do cinema na década.

Fonte: variety.com

Fonte: Beth de Araújo, an official selection of the 2026 Sundance Film Festival. Courtesy of Sundance Institute photo by Greta Zozula

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