Ministro Dias Toffoli recebe processo que envolve operação da Gafisa e Banco Master
Justiça de SP encaminha ao STF processo contra Nelson Tanure por insider trading na aquisição da Upcon pela Gafisa, com conexão ao Banco Master.
A Justiça Federal de São Paulo enviou ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma ação penal contra o empresário Nelson Tanure, relacionada à acusação de insider trading na operação de aquisição da Upcon Incorporadora S/A pela Gafisa entre 2019 e 2020. A Justiça de SP envia ao STF esse processo devido à conexão probatória envolvendo o Banco Master, tema que motivou a remessa para o Supremo.
A acusação contra Nelson Tanure
Tanure é acusado de movimentações financeiras para inflar artificialmente o valor de mercado da Upcon, buscando obter maior poder de voto na operação de compra e venda. À época, ele era acionista da Gafisa e integrava seu conselho de administração. A denúncia implica que Tanure teria utilizado informações privilegiadas para beneficiar-se na transação.
Conexão com o Banco Master e implicações jurídicas
O Ministério Público Federal (MPF) ao incluir o Banco Master na denúncia, abriu caminho para a investigação da relação entre Tanure e a instituição financeira fundada por Daniel Vorcaro. A defesa afirmou que essa conexão não existiria e que as relações de Tanure com o Master foram exclusivamente comerciais, sem vínculo societário ou controle. Contudo, para o MPF e a Polícia Federal, Tanure é considerado um “sócio oculto” do banco, o que amplia a investigação sobre fraudes financeiras.
O papel do Supremo Tribunal Federal
A remessa do processo ao STF ocorreu após a juíza da 9ª Vara Criminal de São Paulo se declarar incompetente para julgar o caso, justamente pela existência de conexão processual com o Banco Master e a Reclamação nº 88.121, sob relatoria do ministro Toffoli. O Supremo agora será responsável por analisar as provas e decidir sobre o mérito da ação.
Defesa e posicionamento de Tanure
A defesa de Nelson Tanure argumenta que não há apontamento de ilicitude pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a operação de aquisição da Upcon pela Gafisa, que foi debatida amplamente e aprovada pela maioria dos acionistas. Tanure nega qualquer vínculo societário com o Banco Master, afirmando que suas relações foram estritamente comerciais e dentro da legalidade.
Operação Compliance Zero e desdobramentos recentes
O processo está inserido na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. No dia 14 de janeiro, Tanure foi abordado pela Polícia Federal ao tentar embarcar para Curitiba, sendo um dos alvos da operação. A investigação busca esclarecer o papel de Tanure como eventual sócio oculto do banco e as operações suspeitas relacionadas.
A Justiça de SP envia ao STF um processo que pode ter amplo impacto na investigação de fraudes financeiras envolvendo grandes empresários e instituições financeiras, com reflexos no mercado corporativo e no sistema regulatório.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Nelson Tanure 2
