Diálogo construtivo é destacado, mas clima amigável é descartado pelo porta-voz russo
Porta-voz do Kremlin afirma que negociações trilaterais entre Rússia, Ucrânia e EUA foram construtivas, mas sem cordialidade.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou em 26 de janeiro de 2026 que as negociações trilaterais entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia, realizadas recentemente nos Emirados Árabes Unidos, não caracterizaram-se por um clima de cordialidade. Segundo Peskov, embora seja indispensável uma postura construtiva para que o diálogo avance, o estágio atual do conflito torna improvável um ambiente amigável entre as partes.
Contexto das negociações
As conversas, que ocorreram em Abu Dhabi, marcaram o primeiro encontro presencial de delegações dos três países em meses, apontando para uma inflexão diplomática em meio à guerra que se aproxima de completar quatro anos. O foco principal das discussões foi a possibilidade de um cessar-fogo duradouro, ainda que sem avanços concretos até o momento.
Principais pontos de impasse
A disputa territorial no leste da Ucrânia permanece como o maior obstáculo para um acordo. Atualmente, a Rússia controla cerca de 20% do território reconhecido internacionalmente como ucraniano, incluindo regiões estratégicas como Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia. Moscou exige que Kiev renuncie oficialmente às reivindicações sobre essas áreas, anexadas após referendos controversos em 2022.
Perspectivas para o diálogo
Apesar das dificuldades, Peskov destacou que a condução das negociações em nível técnico exige comportamento construtivo. “Se a intenção é alcançar algo por meio de negociações, é necessário dialogar de maneira construtiva entre as partes”, afirmou. Do lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelensky descreveu o diálogo como construtivo e informou que preparativos para novas reuniões trilaterais estão em andamento, ressaltando que questões militares e políticas complexas foram discutidas.
A importância do momento
Este ciclo de negociações ocorre em um momento simbólico do conflito, com a participação simultânea das três potências na mesa de negociações indicando uma possível abertura para soluções diplomáticas. Entretanto, o avanço real depende da superação das divergências fundamentais, especialmente na questão territorial, que continua a ser o centro das negociações.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Arte/Metrópoles