Mudanças na política de investimento podem direcionar capital americano para o setor imobiliário britânico
Medidas de Trump podem direcionar investidores dos EUA para o mercado imobiliário britânico, aumentando a crise de habitação.
Limites de Trump sobre investimento em imóveis nos EUA
A proposta de Donald Trump de limitar o investimento em propriedades nos Estados Unidos, especificamente a proibição de empresas de private equity de comprarem casas unifamiliares, pode ter implicações significativas para o mercado imobiliário do Reino Unido. Com o objetivo de mitigar a crise de habitação nos EUA, essa mudança pode, paradoxalmente, impulsionar investidores americanos a direcionar seu capital para o setor habitacional britânico.
O cenário atual do mercado habitacional nos EUA
Recentemente, Trump anunciou sua intenção de pedir ao Congresso para codificar essa medida, alertando que o preço médio de vendas de propriedades nos EUA foi de $410,800 (£305,000) no último ano, conforme dados do Escritório do Censo dos EUA. Essa situação deixou muitas famílias lutando para encontrar moradias acessíveis. Com a proibição, analistas acreditam que investidores, incluindo grandes nomes como o Blackstone, poderão intensificar suas atividades no Reino Unido, onde as condições de mercado podem ser mais favoráveis.
A mudança de foco para o Reino Unido
Historicamente, grandes investidores têm se concentrado em projetos de construção no Reino Unido, adquirindo novas casas em vez de propriedades existentes. Segundo Marcus Dixon, da Jones Lang LaSalle, os investidores institucionais tendem a buscar portfólios de locação completos, em vez de comprar de proprietários individuais. A proibição nos EUA pode, portanto, fazer com que esses investidores redirecionem suas atenções e recursos para o Reino Unido.
Reações de especialistas e defensores dos inquilinos
Organizações de defesa dos inquilinos, como o Living Rent e o London Renters Union, expressaram preocupações sobre a crescente presença de investidores institucionais no mercado habitacional britânico. Ruth Gilbert, porta-voz do Living Rent, afirmou que a dependência de investidores privados pode agravar a crise de habitação existente, à medida que esses investidores buscam maximizar lucros à custa de inquilinos. Eles pedem uma massiva construção de habitação pública para atender à demanda crescente.
Investidores e a crise de habitação no Reino Unido
Desde a crise financeira de 2008, muitos investidores institucionais adquiriram grandes quantidades de propriedades para alugá-las, tornando-se grandes locadores no mercado americano e levando a um aumento nos custos de aluguel e compra de imóveis. No Reino Unido, apenas 0,2% das casas alugadas são operadas por investidores, mas esse número pode aumentar com a entrada de capital americano.
O papel do Blackstone e de outros investidores
O Blackstone, um dos maiores gestores de ativos do mundo, já possui uma presença significativa no Reino Unido, com investimentos que apoiaram a criação de mais de 20,000 novas casas acessíveis desde 2017. No entanto, nem todos os inquilinos estão satisfeitos com suas práticas. A empresa enfrentou críticas em relação ao tratamento de inquilinos e a qualidade de seus serviços, destacando a necessidade de uma supervisão mais rigorosa.
Conclusão
A mudança na política de investimento nos EUA pode ter efeitos colaterais inesperados no mercado habitacional do Reino Unido, exacerbando a crise de habitação existente e colocando mais pressão sobre os inquilinos. À medida que investidores buscam novas oportunidades, a necessidade de uma resposta governamental eficaz e a promoção de habitações públicas se tornam mais urgentes. O futuro do mercado habitacional britânico pode depender de como as autoridades regulatórias responderão a essas novas dinâmicas de investimento.
