O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou, nesta quarta-feira (29), que não tem interesse em um confronto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante uma convenção nacional do PSB, Lula confirmou que o governo brasileiro negou a concessão de vistos a duas autoridades norte-americanas. Segundo ele, esses funcionários seriam enviados ao Brasil com a intenção de interferir nas eleições brasileiras.
"Nesta semana, tivemos que negar o visto para dois jovens que eles estão mandando para o Brasil para se intrometer nas eleições brasileiras", afirmou Lula em tom descontraído, enquanto apresentava o nome de Geraldo Alckmin como candidato ao Palácio do Planalto.
No último sábado (25), fontes indicaram que o Brasil havia recusado pedidos de visto para dois funcionários do governo Trump, que planejavam visitar o país com o objetivo de questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Essa atitude foi interpretada como uma tentativa de influenciar as eleições presidenciais de outubro, nas quais Lula enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL) como principal adversário.
Em resposta a essas alegações, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, que solicitou anonimato, declarou que "qualquer insinuação de que se trataria de uma manobra para minar as eleições de uma nação democrática é uma mentira infundada. Trata-se de uma visita de rotina".
Durante o evento do PSB, Lula reiterou que não deseja conflitos com Trump e pretende conduzir o debate no campo das ideias. "O Trump, às vezes, ele fica querendo brigar comigo. Eu não quero briga com ele… eu não sou bobo", disse Lula ao se dirigir à plateia. "Eu quero paz e quero derrotá-los na narrativa. Eu quero fazer a guerra da narrativa".
O presidente também comentou sobre o recente mal-estar diplomático com a Argentina, em decorrência de ataques do presidente argentino, Javier Milei, direcionados a Lula e a autoridades brasileiras. "Vocês viram a pataquada que fez aqui o presidente da Argentina. Eu não falei nada. Porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com Estado. E eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa", afirmou Lula.