Presidente brasileiro avalia participação no conselho criado por Trump para Gaza
Lula conversa com líder palestino Mahmoud Abbas sobre a situação em Gaza e avalia convite para o Conselho da Paz proposto por Trump.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve diálogo direto com o chefe da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, na tarde de 22 de janeiro de 2026, para tratar da atual situação na Faixa de Gaza. A conversa telefônica destacou a satisfação do presidente brasileiro com o cessar-fogo recentemente estabelecido, além de abordar as futuras perspectivas para a reconstrução da região, reforçando o compromisso do Brasil com a promoção da paz no Oriente Médio.
Contexto do convite ao Brasil para o Conselho da Paz
No mesmo dia da ligação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou a criação do “Conselho da Paz”, uma iniciativa multilateral destinada a coordenar esforços políticos, de segurança e de reconstrução na Faixa de Gaza. Participam dessa proposta 25 países, entre eles Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Turquia e o Brasil.
Este conselho tem como missão inicial mediar conflitos na região de Gaza, com a possibilidade futura de ampliar sua atuação para outras áreas do Oriente Médio. Apesar do convite formal, Lula ainda não tomou uma decisão definitiva sobre a participação brasileira, optando por analisar cautelosamente o documento e os desdobramentos diplomáticos.
Avaliação cautelosa do governo brasileiro
Segundo informações do Planalto, a equipe do presidente estuda minuciosamente diversos aspectos do Conselho da Paz, incluindo:
Os objetivos centrais e a abrangência da iniciativa.
A composição do grupo e as posições políticas e diplomáticas de seus integrantes em relação ao conflito em Gaza.
- Os possíveis impactos financeiros e as obrigações orçamentárias para o Brasil.
Essa análise se dá em meio a reações divergentes no cenário internacional. Por exemplo, o presidente francês Emmanuel Macron rejeitou o convite, com a diplomacia da França ressaltando preocupações quanto ao escopo do conselho e ao respeito à Carta das Nações Unidas.
Posicionamento dos Estados Unidos e expectativas
Na coletiva em que anunciou o Conselho da Paz, Donald Trump demonstrou apreço pelo presidente Lula, afirmando que o brasileiro terá “grande papel” na iniciativa. Trump ainda sugeriu que o novo grupo poderia vir a substituir a Organização das Nações Unidas (ONU) em determinadas funções de mediação.
Desafios e implicações para o Brasil
A decisão de participar do Conselho da Paz representa um desafio diplomático para o Brasil. Ao equilibrar relações multilaterais e sua tradição em buscar soluções pacíficas e de respeito ao direito internacional, o governo brasileiro avalia os riscos e benefícios de integrar uma iniciativa liderada pelos EUA, que já enfrenta críticas de diversos países.
A participação no conselho pode fortalecer a influência brasileira nas discussões sobre o Oriente Médio, mas também pode envolver o país em conflitos geopolíticos complexos e em compromissos financeiros que exigem transparência e consenso interno.
A continuidade do diálogo entre Lula e líderes envolvidos no conflito, como Mahmoud Abbas, reforça a postura brasileira de buscar entendimento e contribuir para a estabilidade regional, enquanto analisa seu papel no novo conselho.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Ricardo Stuckert / PR