O presidente Lula (PT) deu início, na manhã desta terça-feira (22), à 81ª Assembleia Geral da ONU em Nova York. Em seu discurso, ele fez críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao mesmo tempo em que defendeu a soberania do Brasil. Lula destacou que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém", enfatizando a necessidade de parcerias que promovam o desenvolvimento sem barreiras ideológicas.
Tradicionalmente, desde 1955, o Brasil foi o primeiro país a fazer uso da palavra na Assembleia Geral da ONU, seguido por Trump. Ao mencionar a relação entre os dois países, Lula ressaltou a proximidade geográfica com a potência militar dos Estados Unidos, afirmando que essa relação é inevitável em um contexto de crescente hegemonia. Ele declarou que é essencial buscar parceiros que tenham uma agenda positiva e que não deixem que as diferenças ideológicas impeçam a cooperação entre nações vizinhas.
Em seu discurso, Lula também abordou a presença de uma potência hegemônica na América Latina, em referência aos Estados Unidos de Trump. Esse comentário surgiu em um momento de tensões recentes entre os governos brasileiro e norte-americano. O presidente brasileiro enfatizou que o país não deve terceirizar a responsabilidade de proteger suas fronteiras e garantir o direito de seus cidadãos de viver em segurança. "Precisamos de cooperação para combater o fluxo de armas e dinheiro que alimenta o crime organizado", afirmou, referindo-se a uma proposta que ele entregou pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos.
Outro ponto relevante do discurso foi a resposta de Lula a um pedido de Trump, que sugeriu que "dissidentes políticos" deveriam participar das eleições no Brasil. O presidente brasileiro reafirmou que todos os candidatos têm liberdade de expressão e reconheceu que alguns podem abusar dessa liberdade, associando-se a interesses estrangeiros. Lula ainda mencionou a complexidade do combate à desinformação durante o período eleitoral, destacando a modernidade do sistema eleitoral brasileiro.
Por fim, a fala de Lula na ONU não só reafirma a posição do Brasil em relação à sua soberania, como também reflete as preocupações com a influência externa nas questões internas do país, especialmente em um momento que antecede as eleições. O discurso ocorreu em meio a um contexto político tenso, onde a liberdade de expressão e a integridade do processo eleitoral estão em destaque, especialmente a 17 dias das eleições, quando Lula anunciou um aumento de R$ 91 no Bolsa Família, medida que pode ter impacto nas candidaturas em disputa.