Lula intensifica campanha focada em questões econômicas e busca desviar atenção do STF

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adota uma nova estratégia focada em questões econômicas, visando desviar a atenção da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). A partir desta quinta-feira (17), o horário eleitoral trará uma comunicação centrada em temas que impactam diretamente o cotidiano do eleitor, como o preço dos alimentos, a renda e o custo de vida.

Um dos pontos destacados na campanha é a isenção do Imposto de Renda para aqueles que recebem até R$ 5 mil, que será apresentada como uma espécie de décimo quarto salário. Essa abordagem surge como resposta a Flávio Bolsonaro (PL), que começou a gravar vídeos em supermercados, mostrando preços e relacionando os altos custos dos alimentos ao governo Lula.

O Partido dos Trabalhadores busca reverter essa narrativa, relembrando a chamada fila do osso, um símbolo da escassez de alimentos durante a administração de Bolsonaro, e recuperando indicadores referentes a esse período como forma de reposta às críticas atuais sobre os preços.

A mudança de foco ocorre em um contexto de disputa acirrada. Em pesquisa da Na Quaest, realizada em 14 de setembro, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula no segundo turno, com 42% dos votos contra 40%, dentro da margem de erro.

Além disso, a campanha tentará minimizar a crise no STF, que tem sido um tema central nos últimos tempos. O governo procura voltar a discutir assuntos em que possa apresentar dados e comparações diretas com a gestão anterior. Embora a inflação tenha desacelerado, a percepção de preços elevados ainda persiste, um ponto que Flávio Bolsonaro continua a explorar em sua comunicação.

A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, foi designada para abordar esses temas e, em declaração à CNN, destacou que um dos principais desafios é fazer com que os indicadores positivos se reflitam na percepção do poder de compra da população. "Temos crescimento do PIB e o preço da cesta básica recuou. O contexto é positivo, mas o desafio é fazer com que essa melhora seja percebida", afirmou.

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