Após a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como grupos terroristas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou seu discurso contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que é pré-candidato à Presidência. Lula associou a postura do opositor à decisão do governo de Donald Trump e utilizou essa situação para criticar os bolsonaristas.
Cerca de 18 horas após o anúncio feito pelos EUA, o Palácio do Planalto divulgou uma nota oficial na qual descreve a atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos como "deplorável". No entanto, ministérios que lidam diretamente com o tema, como o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Itamaraty, ainda não apresentaram uma declaração oficial sobre a decisão e estão calibrando sua atuação em relação a essa nova classificação.
Durante uma agenda em Sergipe, o presidente Lula adotou um tom mais duro em comparação às semanas anteriores, chamando Flávio Bolsonaro de "traidor". Ele criticou o senador por supostamente pedir intervenção americana no Brasil, enfatizando a necessidade de defender a soberania nacional e criticando a falta de vergonha em trair o país.
Lula também fez referência ao ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, que é acusado de ter transferido mais de R$ 200 mil ao ex-policial militar Adriano da Nóbrega, supostamente envolvido em milícias no Rio de Janeiro. O presidente aproveitou a ocasião para solicitar a aprovação da PEC da Segurança Pública, que está parada no Senado desde março deste ano após aprovação na Câmara dos Deputados.
Em resposta, Flávio Bolsonaro adotou um tom provocador durante um evento em Curitiba (PR), onde criticou Lula, insinuando que ele foi "lamber a bota" de Donald Trump. O senador afirmou que a oposição ao governo petista já realizou mais pelo Brasil do que as gestões do PT nos últimos 20 anos, destacando que a criminalidade aumentou sob a administração de Lula.
Flávio Bolsonaro também acusou o presidente de defender a soberania do PCC e do CV, insinuando que Lula estaria, ou em conluio com organizações narcoterroristas, ou sendo ameaçado por elas. O clima de tensão entre os dois lados da política brasileira se intensifica à medida que as eleições se aproximam, refletindo um embate ideológico que se aprofunda com as recentes declarações e ações dos envolvidos.