Presidente francês fala sobre instabilidade internacional e tensões na Groenlândia durante Fórum de Davos
Macron critica política externa dos EUA e destaca uma transição para um mundo sem regras durante o Fórum de Davos.
O presidente da França, Emmanuel Macron, chamou atenção para o que ele define como uma “transição para um mundo sem regras” durante sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, no dia 20 de janeiro de 2026. Macron destacou que o direito internacional está sendo cada vez mais desrespeitado, dando lugar à predominância da “lei do país forte”.
Macron e a instabilidade diplomática na Groenlândia
O presidente francês comentou a crescente tensão envolvendo os Estados Unidos e seus aliados europeus, sobretudo no contexto da Groenlândia. A intenção do governo dos EUA de assumir controle direto sobre a região criou um cenário de instabilidade, que Macron qualificou como preocupante. Ele esclareceu que a presença militar da França na Groenlândia não visa provocar conflitos, mas sim apoiar a Dinamarca, considerada um aliado europeu estratégico.
“Apoiar um aliado em outro país europeu” foi a justificativa dada para as manobras militares conjuntas na Groenlândia, enfatizando o caráter defensivo e cooperativo da ação francesa.
Repercussões das medidas americanas
A resposta dos Estados Unidos incluiu a imposição de uma tarifa adicional de 10% sobre produtos de oito países, incluindo a França. Macron criticou duramente essa postura, afirmando que ameaçar aliados com tarifas é incompatível com relações entre parceiros tradicionais. Esse posicionamento destaca a crescente dificuldade em manter uma ordem internacional baseada em diálogo e regras mútuas.
Diálogo e propostas de cooperação
Após a fala no Fórum, Donald Trump publicou no Truth Social uma conversa privada com Macron, em que o presidente francês expressa confusão sobre a postura americana em relação à Groenlândia. Macron destacou alinhamento com os EUA em outras questões, como Síria e Irã, e sugeriu que esforços conjuntos poderiam render “grandes coisas”.
Além disso, Macron convidou Trump para um jantar em Paris e propôs a realização de um novo encontro do G7, incluindo representantes da Ucrânia, Dinamarca, Síria e Rússia, visando ampliar o diálogo internacional e buscar soluções para os desafios globais.
Contexto das tensões internacionais
A crise em torno da Groenlândia exemplifica as disputas geopolíticas que têm colocado em xeque o sistema multilateral estabelecido no pós-guerra. A movimentação dos EUA para controlar diretamente uma região estratégica no Ártico provoca reações entre parceiros europeus e destaca o realinhamento das prioridades de países poderosos.
A postura de Macron reflete a preocupação de parte da comunidade internacional com o enfraquecimento das normas que regem as relações entre Estados e a ascensão de uma lógica baseada na força e interesses unilaterais.
Implicações para o futuro do direito internacional
O alerta de Macron sobre um “mundo sem regras” evidencia os riscos que a atual conjuntura política internacional representa para a estabilidade global. A fragmentação de consensos e a adoção de medidas protecionistas e militares podem comprometer a cooperação necessária para enfrentar desafios comuns, como segurança, economia e meio ambiente.
A proposta do presidente francês por um diálogo mais inclusivo e o fortalecimento de fóruns multilaterais indicam caminhos potenciais para reverter esse cenário e restaurar uma ordem internacional baseada em princípios compartilhados e respeito mútuo.
Fonte: www.conexaopolitica.com.br
Fonte: Conexão Política
