Macron minimiza escândalo Epstein e oposição pede investigação

Presidente francês destaca que caso é de interesse dos EUA, enquanto oposição pressiona por inquérito

O presidente Emmanuel Macron afirma que o escândalo Epstein é um assunto principalmente dos EUA, enquanto a oposição francesa pede uma investigação.

O escândalo envolvendo Jeffrey Epstein, que abalou a política e a sociedade norte-americana, agora lança suas sombras sobre a França. O presidente Emmanuel Macron, ao ser questionado sobre as ramificações do caso no país, ressaltou que o escândalo é “um assunto que diz respeito principalmente aos Estados Unidos”. Essa declaração provocou reações tanto da oposição quanto do público, levantando questões sobre a relação da elite francesa com o notório sex offender.

O contexto e as ligações com a elite francesa

A figura de Jeffrey Epstein, que se tornou sinônimo de escândalos sexuais e tráfico de influências, é uma constante fonte de controvérsia. Com diversas personalidades ligadas a ele em arquivos divulgados, a pressão sobre o governo francês para que esclareça essas conexões aumentou. O partido de esquerda La France Insoumise (LFI) argumenta que uma investigação parlamentar é necessária para apurar se houve envolvimento ou financiamento de partidos políticos por parte de Epstein e seus associados.

O presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, por outro lado, se opõe a essa ideia, afirmando que a questão deve ser tratada pela justiça e que uma investigação parlamentar poderia “competir com o sistema judiciário”. Para ela, as revelações sobre o caso são “terríveis” e demandam uma resposta legal robusta, mas não necessariamente uma inquirição política.

Revelações e resignações

O escândalo ganhou nova dimensão após a recente resignação do ex-ministro Jack Lang do cargo de presidente do Instituto do Mundo Árabe. Sua saída foi provocada por revelações sobre suas conexões com Epstein, tornando-o o mais proeminente nome da política francesa associado ao caso. Lang, agora sob investigação por fraude fiscal, nega qualquer irregularidade, alegando que sua relação com Epstein se limitou a aspectos filantrópicos.

A filha de Lang, Caroline, também se viu envolvida, renunciando a cargos em associações ligadas ao cinema e à cultura. A pressão sobre figuras públicas aumenta à medida que mais nomes são revelados nas investigações, trazendo à tona um debate sobre a ética e a moralidade nas relações entre políticos e pessoas de influência.

O futuro do debate público

As declarações de Macron e a resistência a uma investigação parlamentar refletem uma tentativa de dissociação da França em relação ao escândalo, que ele considera ser uma questão americana. No entanto, essa perspectiva pode não ser sustentável a longo prazo, à medida que a indignação pública cresce e mais detalhes sobre ligações de figuras políticas com Epstein emergem. A necessidade de um debate público honesto sobre as consequências de tais relações se torna cada vez mais urgente.

Conclusão

O escândalo Epstein não é apenas uma questão de justiça criminal, mas também um reflexo de como a elite política se relaciona com o poder e a riqueza. As tentativas de Macron de distanciar a França do caso podem não ser suficientes para silenciar a pressão da oposição e do público, que buscam respostas e responsabilidade. O que se espera agora é que a justiça e a verdade prevaleçam, independentemente de onde o escândalo possa levar.

Fonte: www.france24.com

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