Quatro métodos distintos foram combinados para reconstruir a distribuição da matéria escura nos últimos seis bilhões de anos
Pesquisadores combinaram quatro métodos para mapear a matéria escura e reconstruir sua distribuição nos últimos seis bilhões de anos.
A matéria escura representa a maior parte do Universo, mas permanece um grande mistério por não refletir ou emitir luz, tornando-se invisível aos instrumentos tradicionais. Em um avanço significativo, cientistas combinaram quatro métodos distintos para estudar a matéria escura em uma única análise, reconstruindo sua distribuição ao longo dos últimos seis bilhões de anos e obtendo a imagem mais nítida do Universo escuro até hoje.
Quatro métodos para desvendar o invisível
Para alcançar este resultado, pesquisadores utilizaram dados coletados durante seis anos pelo Dark Energy Camera (DECam), um equipamento avançado instalado no Telescópio Victor M. Blanco, no Chile. O estudo envolveu quatro técnicas principais:
Análise de supernovas do tipo Ia: Explosões estelares que mantêm brilho constante e servem para medir distâncias cósmicas.
Lentes gravitacionais fracas: Pequenas distorções na luz de galáxias distantes que ajudam a mapear a distribuição de matéria, incluindo a escura.
Agrupamento de galáxias: Observação dos padrões de agrupamento para entender a gravidade e a influência da energia escura ao longo do tempo.
Oscilações acústicas bariônicas: Ondas sonoras do início do Universo usadas para medir sua expansão.
Imagem reveladora do aglomerado de bala
Entre as evidências coletadas está a fotografia do aglomerado de bala, resultado da colisão de dois aglomerados de galáxias a 3,7 bilhões de anos-luz da Terra. Esta imagem revela a separação entre a matéria visível e a matéria escura, reforçando sua existência e influência na estrutura cósmica.
Comparando teorias sobre a expansão do Universo
A análise combinada dos dados permitiu aos cientistas reconstruir a linha temporal da expansão do Universo e da distribuição da energia escura. Ao confrontar essa reconstrução com dois modelos teóricos — um que considera a energia escura estável e outro que admite sua evolução — os resultados mostraram concordância geral, mas também falhas em pontos chave, indicando que ainda há muito a descobrir.
O futuro das pesquisas sobre matéria escura
Este estudo inovador, com mais de 100 coautores e publicado em pré-print no arXiv, representa um avanço significativo na cosmologia. O próximo passo será integrar os dados da Dark Energy Survey com observações do Observatório Vera C. Rubin, que pretende mapear até 20 bilhões de galáxias, ampliando nossa compreensão sobre matéria escura e a energia que acelera a expansão do Universo.
A matéria escura continua sendo um dos maiores enigmas da ciência moderna, e métodos como este são essenciais para desvendar os segredos do cosmos invisível.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: m colorida que representa o universo – Metrópoles – Foto: Unsplash