Matrículas de pessoas com 50 anos ou mais crescem 262% no ensino superior

O número de pessoas com 50 anos ou mais que ingressaram no ensino superior brasileiro cresceu 262% na última década, passando de 58,4 mil em 2015 para 211,2 mil em 2024. Os dados são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

A tecnóloga em Segurança da Informação Anne Maria Alencar, de 63 anos, é uma das estudantes que decidiram voltar à sala de aula. Ela conta que fez a primeira faculdade nos anos 1980, em Psicologia, mas não concluiu o curso devido à maternidade. Depois, formou-se em Tecnologia em Segurança da Informação e se aposentou. Quando os netos cresceram e começaram a ir à escola, ela decidiu fazer o vestibular 60+ da Universidade de Brasília (UnB), no segundo semestre de 2024, e foi aprovada em Antropologia no campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte (DF).

Anne relatou Ao Metrópoles que a sala de aula reúne estudantes de 17 a 70 anos e que a convivência é respeitosa. "Eu estou amando estar na UnB, vendo toda a movimentação, convivendo tanto com pessoas da minha idade, como pessoas muito mais jovens. E essa interação dá um gás muito grande", afirmou. Apesar de ter passado em Antropologia, ela mudou para Estudos Latino-Americanos e pretende concluir essa área antes de retornar ao curso original.

O jornalista Luciano Demetrius, de 58 anos, também retomou os estudos. Ele foi aprovado em Psicologia em 2014, mas adiou a matrícula e só decidiu voltar à universidade em 2019, aos 51 anos, após receber um e-mail sobre a possibilidade de continuar a graduação no Centro Universitário de Brasília (Ceub). Na graduação, interessou-se pela terapia do luto, abordagem que trata de perdas como fim de relacionamentos, mudanças de cidade, perda de emprego e morte de animais de estimação. Ele perdeu o pai em 2014 e a mãe em maio de 2020, durante a pandemia de Covid-19, e pensou em interromper o curso, mas seguiu com o apoio de professores e pessoas próximas, reduzindo a quantidade de disciplinas.

Segundo a diretora do Ceub, Simone Espinosa, a sociedade passou a enxergar a educação formal de maneira diferente, sem associá-la exclusivamente a uma determinada faixa etária. Anne destaca que os desafios da volta aos estudos não são exclusivos dos idosos, mas de todos os estudantes, como a infraestrutura das salas de aula. Ainda assim, ela afirma que a experiência compensa: "Saber de coisas que eu não imaginava saber, estudar a história da América Latina, estudar o Brasil, estudar os governos. Isso tudo dá uma vida nova para a gente".

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