Guerra por talentos impulsiona salários e transforma planos de carreira no Brasil
O mercado de trabalho em 2026 será marcado pela competição intensa por profissionais em IA, segurança de dados e sustentabilidade, com salários diferenciados e foco em requalificação.
Mercado de trabalho em 2026: a crescente valorização dos especialistas em IA
O mercado de trabalho em 2026 será marcado por uma competição acirrada por profissionais altamente qualificados, especialmente aqueles ligados à inteligência artificial (IA), segurança de dados e sustentabilidade. Conforme o Guia Estratégico de Remuneração 2026 da Gi Group Holding, as funções tradicionais apresentam crescimento tímido, enquanto cargos tecnológicos têm desemprego técnico abaixo de 4% entre especialistas com ensino superior.
Impacto da IA na remuneração e planos de carreira
A proficiência em IA está se tornando uma “meta-habilidade” essencial, capaz de elevar significativamente o salário dos profissionais. Por exemplo, um analista financeiro que domina modelos preditivos baseados em IA pode receber remuneração superior a colegas com título similar, porém habilidades tradicionais. Essa transformação obriga as empresas a redesenhar planos de cargos e salários, criando faixas paralelas de remuneração que refletem impacto e escassez, não apenas senioridade.
O cenário econômico e seus desafios para a retenção de talentos
Apesar do avanço modesto do PIB projetado pelo Ipea (1,6%) e da queda da inflação, o relatório aponta que a taxa Selic deve chegar a 12,25% no fim de 2026, pressionando os resultados financeiros das empresas. Isso resulta em aumentos salariais segmentados, focados em áreas críticas como tecnologia e sustentabilidade, e maior dependência de bônus e metas variáveis para o restante da força de trabalho.
Perfil do profissional valorizado e a “Grande Requalificação”
O profissional mais valorizado de 2026 é o “híbrido” — aquele que alia domínio técnico, fluência digital e sensibilidade humana para conectar tecnologia ao negócio. O estudo ressalta que entre 37% e 39% das competências profissionais atuais precisarão ser transformadas até 2030, impulsionando a “Grande Requalificação” corporativa. Metade das empresas brasileiras ainda não usou IA de forma estruturada, com a principal barreira sendo a falta de talentos.
Desafios regionais e disparidades salariais
A média salarial nacional deve alcançar R$ 3.548 em 2026, com o Distrito Federal liderando (R$ 5.547) e estados como Maranhão e Ceará apresentando os menores valores. Essa disparidade salarial influencia a mobilidade profissional, promovendo a migração de talentos para polos de inovação e gerando déficit crônico em algumas regiões.
Perspectivas para o futuro do trabalho
A tendência para 2026 indica que as empresas vencedoras serão aquelas que investirem intensamente em aprendizagem contínua e no desenvolvimento da força de trabalho atual. O recrutamento de profissionais “prontos” é oneroso e inviável em muitas áreas de alta demanda, reforçando a importância da requalificação e da oferta de pacotes de valor que vão além do salário, contemplando flexibilidade e clareza na carreira.
Fonte: brazileconomy.com.br