Dólar recua com aumento da tensão comercial após anúncio de Donald Trump sobre tarifas à União Europeia
Mercados globais ficam voláteis após Trump anunciar tarifas a oito países europeus por disputa envolvendo a Groenlândia, derrubando o dólar.
Os mercados globais registraram forte volatilidade na segunda-feira, 19 de dezembro, após o presidente Donald Trump anunciar a intenção de impor tarifas adicionais a oito países europeus, elevando as tensões comerciais e políticas. A promessa inclui uma tarifa inicial de 10% sobre importações provenientes da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido, com aumento para 25% a partir de junho caso não haja acordo para a compra da Groenlândia pelos Estados Unidos.
Contexto da disputa comercial
A motivação da medida está na tentativa dos EUA de negociar a compra da Groenlândia, que gerou reações negativas na Europa, especialmente por parte da Dinamarca, responsável pelo território. Os países europeus classificaram as ameaças tarifárias como chantagem, com a França propondo uma série de contramedidas econômicas não testadas anteriormente. Essa escalada ocorre em um momento delicado para as relações transatlânticas, em que acordos comerciais e negociações estavam em andamento.
Impacto nas moedas e mercados financeiros
O anúncio provocou uma venda generalizada do dólar americano, que recuou enquanto o euro e outras moedas concorrentes se valorizaram. O euro, por exemplo, subiu 0,26%, após cair para seu menor patamar desde novembro. As moedas tradicionalmente vistas como refúgio, como o iene japonês e o franco suíço, também ganharam força. Já o bitcoin, considerado um ativo de risco, caiu quase 3%, refletindo o aumento da aversão ao risco global.
Nas bolsas europeias, os futuros do EUROSTOXX 50 e do índice alemão DAX recuaram cerca de 1,1%, enquanto o índice japonês Nikkei caiu 1%, influenciado pelo clima de incerteza e aversão ao risco dos investidores.
Perspectivas econômicas e riscos
Economistas e analistas comentam que as ameaças tarifárias, inicialmente anunciadas para 2025, continuam a gerar preocupação sobre o impacto no crescimento econômico global. As tarifas podem reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) de países como Reino Unido e Alemanha em até 0,3%, caso cheguem ao teto de 25%.
Apesar do momento de tensão, o crescimento global ainda apresenta sinais de resiliência, e os investidores mantêm certa expectativa de que o cenário possa se estabilizar, baseado na experiência recente em negociações comerciais.
Reações políticas e possíveis contramedidas
O presidente francês Emmanuel Macron pressiona pela ativação do “Instrumento Anticoerção”, que pode restringir o acesso dos EUA a licitações públicas e outras atividades econômicas na União Europeia, como resposta às ameaças tarifárias.
Além do conflito envolvendo a Groenlândia, Trump também tem manifestado interesse em intervir em outras questões geopolíticas, como a instabilidade no Irã, além de tensões internas relativas ao Federal Reserve, o que pode contribuir para a volatilidade dos mercados.
Movimentos dos ativos de refúgio
Diante das incertezas, o ouro teve alta significativa, ultrapassando US$ 4.689 por onça, valorização de mais de 1% no dia, acumulando quase 8% no mês de janeiro. Isso reforça a percepção dos investidores sobre o aumento do risco político e econômico global.
A situação destaca a volta dos conflitos comerciais entre EUA e Europa, com possível impacto mais amplo sobre o dólar e os mercados globais, elevando o prêmio de risco e influenciando decisões de investimento e política econômica nos próximos meses.
Fonte: www.moneytimes.com.br
Fonte: IA-tecnologia-mercados-bolha
