Mercados mantêm calma diante de ameaça de tarifas de Trump, mas riscos crescem

Kirill Kudryavtsev/AFP/Getty Images

Apesar da tranquilidade inicial, especialistas alertam para impactos econômicos e geopolíticos duradouros das medidas comerciais dos EUA contra a Europa

Mercados financeiros resistem à ameaça de tarifas de Trump, mas especialistas destacam riscos econômicos e geopolíticos em longo prazo para a Europa e EUA.

Análise da reação dos mercados à ameaça de tarifas de Trump em 1º de fevereiro

A ameaça de tarifas de Trump contra oito países europeus, incluindo o Reino Unido, prevista para 1º de fevereiro, não levou a uma reação explosiva nos mercados financeiros. A bolsa de Londres (FTSE 100) fechou em queda marginal de 0,4%, enquanto ações europeias sofreram perdas mais significativas. O comportamento resiliente dos traders reflete uma dessensibilização à retórica do presidente dos EUA, que frequentemente anuncia medidas agressivas que acabam sendo suavizadas ou adiadas. Jonas Goltermann, economista-chefe adjunto do Capital Economics, observa que os participantes do mercado esperam um adiamento da aplicação da tarifa inicial de 10% e aguardam o julgamento da Suprema Corte dos EUA sobre a legalidade da política tarifária vigente.

Potenciais impactos econômicos duradouros para a Europa e o Reino Unido

Embora a calma momentânea prevaleça, economistas alertam que a imposição prolongada das tarifas poderia levar a uma recessão tanto no Reino Unido quanto na zona do euro. O aumento dos custos de importação pode pressionar a inflação e reduzir o consumo, enquanto as cadeias produtivas integradas enfrentariam maior incerteza. Este cenário traria efeitos negativos para o crescimento econômico, emprego e investimentos, ampliando as dificuldades já existentes em um contexto global instável.

Riscos geopolíticos e a instabilidade da aliança OTAN

Além das consequências econômicas, a ameaça de anexação do território de Greenland e o aumento das tensões entre os EUA e a Europa indicam um possível enfraquecimento da cooperação na aliança da OTAN. Mudanças geopolíticas dessa magnitude são difíceis de precificar de imediato pelos mercados, que tendem a reagir com atraso diante da incerteza sobre desdobramentos futuros. A instabilidade na relação transatlântica pode afetar a segurança coletiva e a coordenação econômica entre as potências ocidentais.

Escalada da disputa para o mercado de capitais e a “armação” econômica

Um aspecto mais alarmante destacado pelo estrategista de câmbio do Deutsche Bank, George Saravelos, é a possibilidade de represálias que transcendem o comércio de bens, atingindo o mercado de capitais. Como grandes detentores de títulos da dívida americana, os fundos europeus poderiam reduzir a exposição aos ativos dos EUA, afetando a demanda pelos títulos públicos e a estabilidade do dólar. Atualmente, a Europa possui aproximadamente US$ 8 trilhões em títulos e ações dos EUA, quase o dobro do restante do mundo. Tal movimento caracterizaria uma “armação” do capital, potencialmente causando volatilidade no mercado financeiro global.

Perspectivas e medidas políticas da Europa diante da ameaça

Embora a venda coordenada de títulos americanos pareça improvável, dada a complexidade política e econômica, a União Europeia já discute a ativação do chamado “instrumento anti-coerção” para restringir o acesso das empresas americanas ao mercado único europeu. O presidente francês Emmanuel Macron tem se posicionado favoravelmente a essa medida, indicando uma resposta mais assertiva à política tarifária dos EUA. O desenrolar desta disputa comercial e geopolítica terá impacto significativo na dinâmica dos mercados e nas relações internacionais nos próximos meses.

Fonte: www.theguardian.com

Fonte: Kirill Kudryavtsev/AFP/Getty Images

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