Dados alarmantes sobre a relação entre armamentos e narcotráfico.
Um relatório do governo mexicano destaca a origem norte-americana de armas apreendidas dos cartéis.
O recente anúncio do secretário de Defesa do México, Ricardo Trevilla Trejo, acende um alerta sobre a relação entre a violência do narcotráfico e o fluxo de armas dos Estados Unidos para o México. Em operação contra os cartéis, foi revelado que cerca de 80% das armas apreendidas em ações de combate ao crime organizado têm origem norte-americana. Esse dado foi divulgado durante uma conferência, onde Trevilla destacou que, desde o início do governo da presidente Claudia Sheinbaum, quase 23 mil armas foram confiscadas.
A origem do problema
A questão das armas no México não é nova, mas a recente revelação sublinha a magnitude do problema. Historicamente, o país tem enfrentado dificuldades em controlar o tráfico de armamentos, que facilita as operações de grupos criminosos. Os cartéis, como o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), que recentemente sofreu uma grande perda com a morte de seu líder, Nemesio Oseguera Cervantes, utilizam essas armas para manter seu poder e território.
A produção e exportação de armamentos nos EUA é um fator que agrava a situação. Controles mais rígidos poderiam diminuir o fluxo de armas, mas as legislações muitas vezes não conseguem acompanhar as táticas dos traficantes, resultando em um ciclo vicioso de violência. A relação entre a facilidade de acesso às armas nos Estados Unidos e a violência no México é um tema debatido por especialistas em segurança e política internacional.
O impacto da morte de ‘El Mencho’
A morte de El Mencho, líder do CJNG, ocorreu em uma operação que envolveu um planejamento cuidadoso das Forças Especiais do Exército mexicano e da Guarda Nacional. A operação culminou em um confronto violento, resultando na morte de El Mencho e de outros membros do cartel. Esse evento não só representa uma vitória para as forças de segurança mexicanas, mas também desencadeou um aumento imediato na violência, com várias baixas entre os criminosos e forças de segurança, além da prisão de dezenas de suspeitos.
A presidente Claudia Sheinbaum, ao comentar sobre a operação, afirmou que as ações foram totalmente conduzidas por forças mexicanas, mas reconheceu que informações dos EUA desempenharam um papel crucial na localização do narcotraficante. Essa colaboração, embora vista como necessária, levanta questões sobre a soberania do México e o impacto da influência americana nas operações locais.
Consequências da violência
As repercussões da morte de El Mencho são palpáveis. A escalada de violência já está em curso, com dados apontando para um aumento no número de ataques e confrontos armados. O governo mexicano se encontra em uma encruzilhada: enquanto busca melhorar a segurança pública, enfrenta a realidade do tráfico de armas e as consequências da guerra contra os cartéis. A população, que clama por paz, observa com temor a intensificação da violência, mesmo diante das promessas de controle e segurança.
Conclusão
O cenário atual no México exige uma abordagem multifacetada que não apenas trate da luta contra os cartéis, mas também envolva uma discussão mais ampla sobre controle de armamentos e políticas de segurança. A revelação de que 80% das armas apreendidas são de origem norte-americana demanda uma reflexão sobre a responsabilidade compartilhada entre os dois países na luta contra o crime organizado. Enquanto isso, o povo mexicano continua a viver sob a sombra da violência, aguardando por soluções eficazes para um problema profundamente enraizado.
Fonte: www.metropoles.com