Microplásticos em fertilizantes contribuem para poluição nas praias do Japão

Naja Bertolt Jensen/Unsplash

Pesquisa da Universidade Metropolitana de Tóquio revela que fertilizantes revestidos com polímero são fonte significativa de microplásticos em zonas costeiras

Estudo japonês aponta que 28% dos microplásticos dos fertilizantes revestidos acumulam-se nas praias, revelando novo foco da poluição.

A relevância da pesquisa sobre microplásticos em fertilizantes no Japão

A presença de microplásticos em fertilizantes é um problema ambiental crescente, e um estudo recente da Universidade Metropolitana de Tóquio destaca que 28% desses materiais acabam acumulados nas praias do Japão. A pesquisa, publicada em dezembro na Marine Pollution Bulletin, evidencia como as praias funcionam como importantes sumidouros temporários para a poluição causada por esses pequenos fragmentos de plástico.

Como o uso de fertilizantes revestidos contribui para a contaminação das praias

Os fertilizantes revestidos com polímero (FRP) são amplamente empregados na agricultura japonesa, especialmente no cultivo de arroz. Dados indicam que entre 50% e 90% dos microplásticos encontrados nas praias japonesas têm origem nesses fertilizantes. O estudo investigou 147 áreas em 17 praias, analisando a movimentação desses microplásticos a partir de terrenos agrícolas até as zonas costeiras.

Diferenças na drenagem afetam a concentração de microplásticos nas praias

Os pesquisadores observaram que em terras agrícolas próximas a foz de rios, onde a drenagem passa por cursos d’água antes de atingir o oceano, apenas 0,2% dos microplásticos alcançavam as praias, com a maior parte retida no solo agrícola. Em contraste, em áreas cujos campos drenam diretamente para o mar, 28% dos microplásticos eram depositados nas praias próximas. Isso indica que a geografia e o sistema de drenagem influenciam fortemente a distribuição desses resíduos.

O papel das ondas e marés na deposição de poluentes plásticos

Segundo o estudo, as ondas e a força das marés são os principais responsáveis pelo transporte dos microplásticos até a costa, criando sumidouros temporários desses materiais nas praias. Essa dinâmica destaca a importância de compreender os processos naturais que contribuem para o acúmulo desses contaminantes na zona costeira, afetando ecossistemas marinhos e terrestres.

Análise química e física dos microplásticos coletados

Utilizando técnicas de raio X, os cientistas detectaram alterações em vários fragmentos de microplásticos, como a formação de camadas de óxido de ferro e alumínio. Essas modificações aumentam o peso dos fragmentos, tornando-os menos suscetíveis a serem transportados pelas ondas até as praias. Essa característica modifica a mobilidade desses poluentes e sua persistência nos ambientes costeiros.

Implicações para futuras pesquisas e políticas ambientais

Os resultados da pesquisa indicam que as praias devem ser consideradas em futuras investigações sobre a dinâmica dos microplásticos e sua mitigação. A identificação dos fertilizantes revestidos como fonte significativa desses resíduos reforça a necessidade de políticas específicas para reduzir o impacto ambiental e proteger tanto a vida marinha quanto a saúde humana. Estudos complementares são essenciais para detalhar os mecanismos de transporte e destino final desses poluentes.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Naja Bertolt Jensen/Unsplash

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