Milhões ainda apostam no jogo do bicho

A falta de regulamentação do popular “jogo do bicho” brasileiro permitiu que esse jogo ilegal se expandisse por todo o país. Estima-se que 10 milhões de apostas sejam feitas no jogo diariamente e que 300 mil pessoas trabalham informalmente com essa atividade no Brasil.

Modernização tecnológica do jogo

Ilegal, mas dentro da tecnologia, o “jogo do bicho” no Brasil continua livre. As apostas na “loteria clandestina” costumavam ser feitas em cartões de papel, que no final do dia eram recolhidos para o sorteio dos prêmios. Hoje, os operadores utilizam aplicativos móveis em algumas regiões e o apostador recebe um comprovante impresso da aposta. O tradicional “jogo do bicho”, embora ilegal, também teve que se adaptar à tecnologia.

É uma modalidade que continua a se espalhar pelas ruas do Brasil, mas que passou a se modernizar para não perder clientes. O sistema manual deu espaço ao uso de dispositivos móveis, permitindo registros mais rápidos e acompanhamento mais organizado das apostas.

As apostas que antes eram feitas em cartões físicos, recolhidos para conferência posterior, hoje podem ser realizadas pelo celular, com a emissão de comprovantes que trazem maior sensação de segurança ao apostador.

Estimativas e impacto econômico

De acordo com o Instituto Brasileiro Jogo Legal (IJL), o jogo do bicho movimenta cerca de 20 milhões de apostas diárias no Brasil. Essa clandestinidade resulta em uma vultosa evasão fiscal e na manutenção de postos de trabalho sem garantias trabalhistas ou qualidade profissional.

Estrutura e funcionamento tradicional

O sistema associa números a um conjunto de 25 animais e existe há mais de um século no Brasil. O modelo foi concebido originalmente como estratégia de financiamento para o zoológico do Rio de Janeiro e se consolidou como prática popular.

Ao adquirir um bilhete, o apostador escolhe um animal e, caso ele corresponda ao resultado do sorteio, recebe premiação proporcional ao valor apostado. Com o tempo, operadores e apostadores se espalharam por diversas regiões, consolidando uma rede informal que persiste até hoje.

História e Origem

O “jogo do bicho” foi criado logo após a proclamação da República, em 1893, como forma de financiar o Zoológico do Rio de Janeiro, que pertencia ao Barão de Drummond. Após o fim da monarquia, o zoológico perdeu subsídios e corria o risco de fechar. O “jogo do bicho” foi sugerido por um mexicano, morador da cidade, como fonte de arrecadação de fundos. A alternativa foi bem-sucedida. O jogo teve grande crescimento, mas, assim como os cassinos, foi proibido na década de 1940.

Expansão Nacional

A falta de regulamentação do jogo do bicho permitiu que o jogo clandestino se espalhasse por todo o país. Estima-se que atualmente sejam feitas 10 milhões de apostas diárias e que 300 mil pessoas trabalham informalmente com ele no Brasil, realidade que hoje também é acompanhada por plataformas digitais como o Mega Bicho.

Fiscalização e legislação

O jogo do bicho possui enquadramento específico no Decreto-Lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941, a Lei de Contravenções Penais. A exploração da atividade pode resultar em pena de prisão e multa, o que mantém a prática em constante observação pelas autoridades.

Apesar da fiscalização rotineira, agentes públicos reconhecem a dificuldade de combate à atividade, em grande parte devido à aceitação social e à presença histórica do jogo no cotidiano da população. A coleta de informações e a identificação das operações permanecem desafios recorrentes.

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