Na manhã da quarta-feira (29), uma milícia iraquiana, que possui vínculos com o Irã, relatou que diversas de suas instalações em várias regiões do Iraque foram alvos de ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita. Informações preliminares indicam que houve um número não especificado de mortos e feridos, além de danos significativos a prédios, conforme comunicado emitido pela PMF (Forças de Mobilização Popular).
A PMF qualificou o ataque como uma escalada extremamente perigosa, considerando-o uma violação da soberania do Iraque e uma agressão às suas instituições de segurança. Em resposta, As Forças Armadas dos EUA e forças sauditas confirmaram a realização de operações conjuntas contra milícias que têm o apoio do Irã, justificando os ataques como resposta a ações hostis contra suas tropas e instalações na região.
O governo iraniano, por sua vez, advertiu que responsabilizar o Irã pelos ataques seria um “grave erro de cálculo”. Os bombardeios ocorreram poucas horas após os militares dos EUA afirmarem que seus sistemas de defesa aérea impediram um ataque surpresa do Irã contra suas forças na área.
A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) também anunciou que lançou uma série de mísseis balísticos direcionados a instalações militares americanas localizadas na Jordânia. Em sua declaração, a IRGC ressaltou que, enquanto houver ameaças à República Islâmica do Irã e ações consideradas ilegais e maliciosas por parte das forças americanas, a resistência continuará suas operações.
Contextualmente, a PMF é uma entidade que agrega diferentes grupos armados e está oficialmente integrada às forças de segurança do Iraque. O Irã tem aumentado sua influência sobre essa organização, que é composta majoritariamente por grupos paramilitares de orientação xiita. A PMF foi criada em 2014, em resposta ao avanço do grupo extremista Estado Islâmico, e após convocar cidadãos iraquianos para se unirem às forças estatais, o governo conseguiu reunir novos voluntários e milícias já existentes sob sua bandeira.
Desde sua formação, a PMF desempenhou um papel crucial na luta contra o Estado Islâmico, contribuindo para a recuperação de territórios iraquianos. Em 2016, a organização foi oficialmente incorporada ao sistema de segurança do país. Algumas milícias dentro da PMF mantêm laços estreitos com a IRGC e fazem parte do chamado “Eixo da Resistência”, que inclui grupos como o Hezbollah, no Líbano, o Hamas, em Gaza, e os houthis, no Iémen. Essas milícias frequentemente realizam ataques contra os Estados Unidos e seus aliados no Oriente Médio.