O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8/6), a suspensão temporária da vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após a identificação de eventos adversos graves e inesperados em indivíduos que receberam a imunização, incluindo duas mortes que estão sendo investigadas.
A vacina Butantan-DV, que se destacou por ser a primeira de dose única e com tecnologia 100% brasileira, foi iniciada no começo deste ano, priorizando os profissionais de saúde. Até a interrupção da aplicação, aproximadamente 500 mil doses haviam sido distribuídas.
Durante uma coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhado de representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan, revelou que foram registradas 3.703 notificações de sintomas compatíveis com a dengue, o que corresponde a 0,7% do total de vacinados. O alerta máximo que resultou na suspensão se originou de um grupo menor, com 42 casos que apresentaram sinais graves, representando 0,008% do público vacinado.
Entre os casos mais críticos, uma mulher de 39 anos foi internada em UTI com choque seis dias após a vacinação, mas conseguiu se recuperar. Outra mulher, também de 48 anos, desenvolveu meningoencefalite 19 dias após a dose e faleceu. Um terceiro caso envolveu um homem de 58 anos que teve febre durante a fase 3 dos ensaios clínicos, que contou com mais de 16 mil voluntários em território nacional. A eficácia geral da vacina foi de 74,7%, alcançando 100% de proteção contra hospitalizações.
Com a suspensão da distribuição da vacina para estados e municípios, o Governo Federal anunciou que iniciará uma busca ativa para monitorar possíveis novos casos de reações adversas. Aqueles que receberam a vacina nos últimos 21 dias devem ficar alertas e procurar atendimento médico imediato caso apresentem sintomas como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sonolência extrema ou sinais de desidratação.
A expectativa inicial do Ministério da Saúde era distribuir cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026, mas essa meta será reavaliada em função das investigações em andamento. A segurança dos imunizados e a eficácia do programa de vacinação são prioridades nesse momento de análise crítica.