Um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao jogo do bicho, que movimentou cerca de R$ 2 bilhões, foi alvo de uma operação deflagrada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e pela Polícia Federal nesta quarta-feira (29). A ação, nomeada Operação Conexão, busca desarticular um grupo suspeito de atuar na conversão de valores ilícitos em dinheiro aparentemente lícito.
As investigações, lideradas pelo GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), revelaram que os envolvidos no esquema eram contratados por bicheiros do Rio de Janeiro. Esses indivíduos operavam principalmente na região de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, utilizando empresas do setor de construção civil para disfarçar a origem dos recursos.
Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão em várias cidades, incluindo São José do Rio Preto (SP), Guapimirim (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e Campo Grande (MS). As ordens judiciais foram emitidas pela 1ª Vara Criminal da Comarca de São José do Rio Preto.
Além das detenções e buscas, a Justiça determinou medidas cautelares patrimoniais que afetam 18 pessoas, tanto físicas quanto jurídicas. Essas medidas incluem o sequestro de bens e ativos, bloqueio de valores em contas bancárias, indisponibilidade de criptoativos e a constrição de veículos, totalizando cerca de R$ 2 bilhões.
A investigação apontou que os suspeitos realizavam a lavagem do dinheiro por meio de máquinas de pagamento por cartão instaladas em bancas de jogo, além de utilizar contas de empresas de fachada e saques fracionados em espécie. Entre janeiro de 2019 e março de 2026, estima-se que aproximadamente R$ 2 bilhões tenham sido movimentados no esquema, dos quais pelo menos R$ 100 milhões foram sacados em dinheiro.
Os indivíduos envolvidos na operação poderão enfrentar acusações de lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa, conforme as evidências coletadas durante as investigações.