Durante uma entrevista ao programa Hora H, na quinta-feira (21), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, expressou sua preocupação com os juros praticados no Brasil, que ele classificou como "não civilizados". Durigan enfatizou que é desconfortável observar a dívida do país sendo rolada a taxas tão elevadas.
O ministro destacou que as altas taxas de juros no Brasil resultam de uma combinação de fatores, contestando a visão simplista de que o elevado nível de gastos do governo é a única razão para essa situação. "A explicação é mais complexa", afirmou Durigan.
A analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto, observou que o ministro evitou discutir como os gastos adicionais do governo impactam a inflação e, por consequência, a taxa de juros. Segundo Lucinda, as medidas de estímulo econômico adotadas pelo governo ao longo do ano totalizam entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões, o que, segundo cálculos da XP, pode afetar o PIB em 1,4 ponto percentual.
Ela salientou que esse crescimento econômico e o consumo extra geram inflação, o que, por sua vez, tem um efeito direto sobre as taxas de juros. Lucinda ressaltou que a situação se torna um ciclo vicioso, onde juros mais altos aumentam o custo da dívida que o governo precisa gerenciar periodicamente.
Além disso, a analista sublinhou que o custo da dívida brasileira é superior ao de outras nações, desafiando a afirmação de Durigan de que países emergentes e desenvolvidos enfrentam problemas semelhantes com suas dívidas.
O contexto internacional, especialmente os conflitos globais, também foi mencionado por Durigan como um elemento que agrava a inflação. Lucinda concordou em parte, mas destacou que outras questões locais também são relevantes. Ela mencionou que os esforços do governo para mitigar o impacto do aumento dos combustíveis na vida da população acabam resultando em inflação, criando um paradoxo que o ministro não conseguiu explicar de forma clara.