Morte de aluna durante viagem escolar gera polêmica e condenação

Caso de Victoria Mafra Natalini ressurge após decisão do STJ.

Caso de Victoria Mafra Natalini, morta em 2015, volta aos tribunais após condenação da escola.

Tragédia na viagem escolar

A morte de Victoria Mafra Natalini, ocorrida em 2015 durante uma excursão escolar no interior de São Paulo, reacendeu a discussão sobre segurança e responsabilidade nas instituições de ensino. O caso voltou ao centro do debate judicial após uma recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que condenou a Escola Waldorf Rudolf Steiner ao pagamento de R$ 1 milhão por danos morais ao pai da estudante. Essa decisão destaca falhas graves no dever de cuidado da escola, evidenciando um cenário que se arrasta sem solução há quase onze anos.

Contexto do Caso

Em 2015, Victoria participava de uma viagem escolar que se tornaria fatídica. Durante a atividade, os alunos foram proibidos de utilizar celulares, uma decisão que dificultou a comunicação em situações de emergência. A aluna se afastou do grupo para ir ao banheiro e não retornou, algo que só foi percebido cerca de duas horas depois, quando colegas alertaram uma tutora sobre sua ausência. Essa falta de atenção inicial gerou críticas, especialmente quando se considera que a busca começou limitadamente, apenas nas dependências do local onde estavam hospedados. O Corpo de Bombeiros não foi acionado imediatamente, o que prolongou a incerteza sobre o paradeiro da estudante.

Falhas na Vigilância

A situação se agravou quando o corpo de Victoria foi encontrado apenas na manhã seguinte ao seu desaparecimento. O pai, preocupado, acionou um helicóptero da Polícia Militar para intensificar as buscas. A sequência de falhas no protocolo de vigilância e na resposta ao desaparecimento da jovem foi crucial para a avaliação do STJ, que, por meio do relator do caso, o ministro Antônio Carlos Ferreira, classificou a conduta da escola como gravemente negligente, caracterizando a morte como homicídio. O ministro criticou severamente a decisão anterior do Tribunal de Justiça de São Paulo, que havia reduzido a indenização de R$ 1 milhão para R$ 400 mil, argumentando que essa diminuição não considerou as circunstâncias específicas do caso.

Investigação Sem Fim

O primeiro laudo do Instituto Médico-Legal apontou a causa da morte como indeterminada. Com o tempo, uma nova perícia concluiu que Victoria morreu por asfixia mecânica, sem indícios de drogas, álcool ou violência sexual. Apesar das evidências, o inquérito foi arquivado sem a identificação de suspeitos, embora tenha sido reaberto posteriormente. A Secretaria da Segurança Pública informou que novas diligências foram realizadas, mas até o momento, os responsáveis pelo crime permanecem desconhecidos. O pai de Victoria contratou peritos particulares que corroboraram a hipótese de homicídio, sugerindo que o corpo da menina foi transportado até o local onde foi encontrado.

O Impacto da Decisão

Para João Carlos Siqueira Natalini, a decisão do STJ representa um marco simbólico e jurídico, embora não possa reparar a perda de sua filha. Ele investiu anos em perícias e análises independentes na esperança de desvendar a verdade por trás da morte de Victoria. A falta de responsabilização criminal dos envolvidos continua a ser uma ferida aberta para a família, que busca justiça em um caso que parece ainda distante de uma conclusão.

A tragédia de Victoria Mafra Natalini expõe a fragilidade dos protocolos de segurança em excursões escolares e levanta questões sobre a responsabilidade das instituições de ensino em garantir a proteção dos alunos. À medida que o debate avança, a esperança de que a verdade sobre essa história dolorosa venha à tona persiste, mas a incerteza ainda reina sobre o que realmente aconteceu naquela viagem fatídica.

Fonte: baccinoticias.com.br

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