Novo governo sinaliza abertura para os EUA e reformas internas
Após a queda de Nicolás Maduro, o novo governo da Venezuela inicia uma série de mudanças, incluindo negociações com os EUA sobre petróleo e direitos humanos.
O recente desfecho político na Venezuela, com a captura de Nicolás Maduro e a ascensão de Delcy Rodríguez ao poder, marca um novo capítulo nas relações internacionais do país, especialmente com os Estados Unidos. A mudança de governo, ocorrida em 3 de janeiro de 2026, foi impulsionada por um cerco militar norte-americano sob a justificativa de combater o tráfico de drogas, em um cenário que está longe de ser pacífico.
A Nova Era Venezuelana e o Interesse dos EUA
A administração de Delcy Rodríguez, que já demonstrou um tom combativo em suas primeiras declarações, rapidamente cedeu a pressões vindas de Washington. Os EUA, com Donald Trump à frente, têm mostrado interesse estratégico em assegurar o controle sobre os recursos energéticos da Venezuela, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo. Logo após a deposição de Maduro, Trump anunciou que os EUA assumiriam um papel de supervisão até que um processo de transição política fosse estabelecido.
As negociações em torno do petróleo começaram a ganhar forma rapidamente. Informações indicam que o novo governo venezuelano concordou em vender entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA, com Trump afirmando que os lucros dessa transação seriam utilizados em prol do povo venezuelano e americano. Essa abordagem reflete uma tática de negociação em que os EUA buscam garantir acesso a recursos essenciais enquanto a nova administração tenta legitimar sua gestão.
Sinais de Mudança e Desafios Internos
Além do foco nas exportações de petróleo, o novo governo também se comprometeu a atender demandas dos EUA relacionadas a direitos humanos. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão de Delcy, anunciou a libertação de presos políticos como um gesto de boa vontade. No entanto, essa mudança é acompanhada de relatos de repressão contínua, com censura e novas prisões de jornalistas críticos ao governo. O Sindicato Nacional de Trabalhadores de Imprensa da Venezuela (SNTP) denunciou a prisão de vários jornalistas, evidenciando que, apesar das promessas de mudança, a repressão ainda persiste.
A nova estratégia comercial, que inclui a compra de produtos agrícolas e medicamentos dos EUA, também foi anunciada, gerando expectativas sobre uma possível normalização das relações econômicas. Contudo, as dificuldades internas, como a inflação e a instabilidade política, ainda representam grandes desafios para a administração de Rodríguez.
Em síntese, a queda de Nicolás Maduro não apenas alterou a dinâmica política interna da Venezuela, mas também abriu caminho para um novo alinhamento com os Estados Unidos, que buscam recuperar influência na região. As promessas de reforma e os gestos de abertura, no entanto, precisam ser avaliados com cautela, dado o histórico recente de repressão e controle autoritário que ainda permeia a política venezuelana.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: m colorida mostra presidente da Venezuela Delcy Rodríguez
