Mudanças tributárias no futebol: impacto e desafios para clubes

Entenda como a nova tributação afeta o cenário esportivo

A nova reforma tributária no Brasil traz desafios significativos para clubes de futebol, especialmente os tradicionais.

O recente veto presidencial ao texto-base da reforma tributária trouxe à tona uma questão crucial para o futuro do futebol no Brasil: a diferenciação na carga tributária entre clubes associativos e as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Com essa mudança, os clubes tradicionais, que operam sob modelos associativos, enfrentarão um aumento significativo na carga fiscal, criando um cenário de desvantagem em relação às SAFs, que gozaram de uma carga tributária mais leve.

As novas alíquotas tributárias e suas implicações

A proposta inicial da reforma tributária estipulava uma alíquota de 8,5% para as SAFs, mas após negociações, esse percentual foi reduzido para 4% nos primeiros cinco anos de atividade, subindo para 6% a partir do sexto ano. Em contrapartida, os clubes associativos, que atualmente pagam 5% ao INSS sobre receitas específicas, terão que arcar com 15,5% sobre a receita bruta, o que representa um aumento significativo.

Esse novo modelo tributário entra em vigor em 1º de janeiro de 2027, com um período de transição que se estende até 2032. Essa transição, embora planejada, irá pressionar os clubes a reavaliar suas estruturas financeiras e estratégias operacionais.

Reações dos clubes e o impacto financeiro

Um exemplo claro das implicações dessa reforma é o Flamengo, que divulgou um estudo interno apontando que deverá pagar aproximadamente R$ 746 milhões em impostos nos próximos oito anos, enquanto as SAFs terão um custo cerca de R$ 473 milhões inferior. Em resposta a essa pressão financeira, o Flamengo já começou a traçar um plano de contenção de despesas, visando uma redução de R$ 16 milhões em 2026, com foco em esportes olímpicos para proteger o investimento no futebol profissional.

Por outro lado, o Cuiabá, já adaptado ao modelo de clube-empresa, vê a migração para a SAF como uma solução natural para enfrentar a nova realidade tributária. O presidente do clube, Cristiano Dresch, ressaltou que essa mudança pode forçar muitos clubes a se tornarem SAFs para garantir a sustentabilidade financeira, embora também alerte sobre o risco de novos aumentos de tarifas que poderiam inviabilizar investimentos no esporte.

O futuro do futebol brasileiro sob a nova tributação

Com a ascensão das SAFs, o mercado do futebol brasileiro está passando por uma transformação significativa. Estima-se que o número de clubes que adotaram esse modelo tenha crescido de zero para mais de 100 em apenas quatro anos. Isso reflete uma adaptação positiva ao novo formato, mas também levanta questões sobre a profissionalização e a modernização do esporte, que são essenciais para sua evolução.

Além disso, o Flamengo está buscando reverter a situação política, atuando para derrubar os vetos e restabelecer a igualdade tributária. A iniciativa “Amigo do Esporte” visa mobilizar apoio no Congresso Nacional para essa causa.

Conclusão

A reforma tributária representa um divisor de águas para o futebol no Brasil. À medida que as alíquotas entram em vigor, clubes precisam se adaptar a um novo equilíbrio econômico que poderá moldar o futuro do esporte no país. As decisões tomadas agora terão implicações de longo prazo, e clubes tradicionais podem precisar reconsiderar suas estratégias para não ficarem para trás neste novo cenário competitivo.

Fonte: portalleodias.com

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