O Ministério Público de Santa Catarina apresentou, no dia 9 de outubro, uma denúncia contra uma mulher de 37 anos que se passou por uma criança de 12 anos, vivendo como filha adotiva em Joinville, no norte do estado, durante cerca de 14 meses. A acusação envolve crimes de estelionato e falsa identidade, e agora cabe ao Tribunal de Justiça decidir se a mulher se tornará ré e se responderá pelos delitos atribuídos.
A identidade falsa da mulher, que se apresentava como "Gabriele Ferreira dos Santos", foi revelada em 2 de junho, após uma familiar estranhar a situação e notificar as autoridades policiais. Após ser detida, a mulher confessou os crimes durante seu interrogatório, levando a um aprofundamento das investigações.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina já havia determinado a realização de um exame de insanidade mental para avaliar a condição psicológica da acusada. Essa decisão, em resposta ao pedido da defesa, busca verificar se ela tem a capacidade de responder ao processo. Caso seja constatado que a mulher não compreendia seus atos, isso poderá impactar diretamente na sua condenação, podendo resultar em uma medida de segurança ao invés de uma pena privativa de liberdade.
A descoberta do crime teve início quando uma tia da mulher, que integrava a família adotiva, procurou a polícia. Juntamente com o pai adotivo da suspeita, foram feitas pesquisas na internet que revelaram que ela havia cometido crimes semelhantes em pelo menos cinco estados do Brasil.
Durante as investigações, a Polícia Civil conseguiu identificar a verdadeira identidade da mulher, que possuía registros de ocorrências em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
A mulher, ao se passar por "Gabriele", apresentava comportamentos típicos de uma criança, utilizando mamadeiras e alegando ser portadora de autismo e outras condições de saúde. Esses relatos foram usados como justificativa para sua aparência mais madura, que ela atribuía ao uso forçado de hormônios na infância.