Exame é a principal ferramenta para rastrear o câncer de mama; especialistas respondem 10 dúvidas comuns
Desde setembro, o Ministério da Saúde garante o acesso à mamografia gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS) para mulheres de 40 a 49 anos; mesmo sem sinais ou sintomas de câncer. A faixa etária concentra 23% dos casos da doença e a detecção precoce aumenta as chances de cura em até 90% dos casos.
A medida faz parte de um conjunto de ações voltadas à melhoria do diagnóstico precoce e da assistência oncológica. No Brasil, o câncer de mama é a doença que mais atinge as mulheres. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, 73.610 novos casos devem ser registrados até o fim de 2025.
“Essa decisão do Ministério da Saúde é positiva. Até então, as mulheres dessa faixa etária só conseguiam fazer mamografia pelo SUS se tivessem histórico familiar da doença. A nova diretriz democratiza o acesso a um exame crucial, que pode identificar a enfermidade antes mesmo de ela se tornar palpável”, explica a ginecologista e professora do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Carolina Ferrari.
Prevenção além do exame
Embora a mamografia seja a principal ferramenta de rastreamento, a mestre em Promoção da Saúde e professora do Integrado, Greice Nogueira, destaca que a prevenção primária também deve ser priorizada.
Ela recomenda que as mulheres adotem um estilo de vida saudável, mantenham o peso corporal adequado, pratiquem atividades físicas regularmente, tenham uma dieta rica em frutas e vegetais, limitem o consumo de álcool e evitem o fumo. Outras recomendações incluem evitar a exposição prolongada à reposição hormonal, quando possível, e amamentar por mais tempo.
Alerta para sinais
A ginecologista Carolina Ferrari reforça que a mamografia é considerada o exame mais barato e com melhor capacidade de detectar as alterações. Já os exames de ultrassom de mama e ressonância magnética servem como complemento, quando necessário.
“Por isso, as mulheres devem analisar o histórico familiar, fazer o autoexame e ficar atentas a sinais como o aparecimento de nódulos, abaulamentos da mama, retrações da pele (especialmente dos mamilos) e secreção sanguinolenta pelos ductos mamários. Quando o câncer se torna palpável, já pode estar grande demais para ser curável”.
Medo, desinformação, vergonha
Mesmo com todos os benefícios do diagnóstico precoce, a resistência em fazer os exames preventivos ainda é uma realidade no Brasil.
“O medo, a desinformação e a vergonha ainda são grandes barreiras ao público feminino. No entanto, é fundamental acolher, orientar e garantir acesso rápido aos exames às mulheres de 40 a 49 anos ao longo de todo ano”, fala a mestre em Promoção da Saúde e professora do Integrado.
Ela destaca que campanhas como o Outubro Rosa são fundamentais para ampliar o diálogo sobre o câncer de mama, estimular o autocuidado e romper tabus.
Mitos e verdades sobre a mamografia
Para combater a desinformação que ainda circula sobre o exame de mamografia e a prevenção ao câncer de mama, Carolina Ferrari e Greice Nogueira respondem a 10 dúvidas comuns. Confira!
1) O autoexame pode substituir o exame de mamografia?
Não. O autoexame é somente o primeiro passo para a prevenção do câncer de mama e de outras doenças. Por isso, não pode substituir a mamografia.
2) A mamografia é sempre muito dolorosa?
Não. A compressão pode causar desconforto ou dor em algumas mulheres, mas é geralmente suportável e rápida. A intensidade da dor pode variar, sendo mais comum na fase pré-menstrual. Por isso, recomenda-se que o exame seja feito fora deste intervalo.
3) Qual deve ser a frequência do exame?
Para mulheres com risco habitual, a periodicidade mais comum é anual, especialmente a partir dos 40 anos. Para mulheres com fatores de risco aumentados (como histórico familiar), pode ser necessário começar antes ou fazer com maior frequência. Para evitar dúvidas, é recomendado falar com um médico.
4) Existe alguma contraindicação?
A mamografia não é recomendada para mulheres com menos de 35 anos, pois a densidade da mama nessa faixa etária diminui a qualidade das imagens. Nesses casos, outros exames podem ser indicados.
5) Mulheres com próteses de silicone podem fazer a mamografia?
Sim e o Ministério da Saúde garante esse direito pelo SUS. Mas é importante informar o técnico sobre as próteses antes do exame. Existem métodos especiais para minimizar a compressão e obter imagens adequadas.
6) A radiação emitida no exame de mamografia pode fazer mal?
Existe contraindicação para o exame somente em casos de gravidez. Fora isso, a mamografia pode ser realizada normalmente, visto que a radiação emitida é muito baixa e é insuficiente para causar problemas aos outros órgãos.
7) Quanto tempo leva para realizar o exame mamografia?
Trata-se de um exame rápido, que pode ser realizado entre 15 e 30 minutos.
8) Qualquer médico pode solicitar a mamografia?
A solicitação deve ser feita por um ginecologista, mastologista ou um clínico geral.
9) O rastreamento do câncer de mama com mamografia pode contribuir com a redução da mortalidade?
Sim. O principal ganho do rastreamento está na detecção precoce, que aumenta as chances de tratamento eficaz e pode resultar em vidas estendidas, especialmente quando é realizado dentro de programas organizados e na faixa etária recomendada.
10) Nódulos ou mudanças nas mamas podem ser sinais de alerta?
Verdade: Sinais de alerta incluem nódulos persistentes, endurecidos ou em crescimento, secreção papilar unilateral, lesões na pele, aumento da mama com edema, retração da pele ou mudança no formato do mamilo. Cerca de 90% dos casos iniciais se apresentam como nódulo mamário e a associação com outros sinais aumenta a probabilidade de diagnóstico de câncer.
Fonte: Assessoria de Imprensa. / Foto: Freepik.