“Mel da Ilha – um povo e suas histórias” ganha primeira reimpressão após mobilização da comunidade
A história da Ilha do Mel, contada por quem vive e constrói diariamente a identidade da comunidade, ganha um importante registro com a obra “Mel da Ilha – um povo e suas histórias”, escrita pela moradora nativa Ângela Gonçalves. O livro acaba de receber sua primeira reimpressão, viabilizada por um esforço coletivo da própria comunidade da Ilha do Mel, reafirmando a importância da preservação da memória e da cultura local.
Nascida em 1970, na Ilha do Mel, em Paranaguá (PR), Ângela Gonçalves é uma das lideranças da comunidade da Praia Grande e atual segunda-secretária da Associação dos Nativos da Ilha do Mel (Animpo). Mãe de cinco filhos, todos criados na ilha, ela construiu sua trajetória conciliando diversas atividades: hospeda turistas, pesca, produz artesanato, realiza trabalhos de pintura, bordado, faxinas e confeitaria, sempre mantendo uma forte ligação com a vida comunitária.
A origem da obra remonta à história de sua mãe, Claudina, que chegou à Ilha do Mel em 1958, aos 18 anos, vinda de Santa Catarina em busca de seu pai, Renúncio. Encantada com o local, nunca mais deixou a ilha. Casada com o marinheiro Ângelo, estabeleceu-se na Praia Grande, onde, ao lado da sogra, conhecida como Vó Maria, ajudou a formar a comunidade que até hoje existe no local, o tradicional Canto da Vó.
Criada nesse ambiente repleto de histórias, saberes e memórias, Ângela cresceu ouvindo os relatos da mãe sobre os acontecimentos que marcaram a ocupação da Ilha do Mel, suas transformações sociais, ambientais e culturais. Com o passar dos anos, passou a registrar essas narrativas em manuscritos, preservando histórias vividas por moradores que testemunharam períodos de resistência diante dos avanços predatórios sobre o meio ambiente e das constantes ameaças aos direitos e conhecimentos das comunidades tradicionais.
O material chamou a atenção da artista plástica Teca Sandrini, antiga frequentadora da Ilha do Mel, que apoiou a iniciativa e contribuiu para tornar possível a publicação da obra. O projeto foi aprovado pela Lei Aldir Blanc e contou com gestão da produtora cultural Francine Rocha. O manuscrito foi digitado, revisado e editado pela escritora Etel Frota, respeitando as características linguísticas e culturais dos relatos originais.
Lançado inicialmente em uma pequena tiragem, o livro circulou entre bibliotecas, escolas e moradores da Ilha do Mel, acompanhado por rodas de conversa realizadas entre agosto e dezembro de 2025. Os encontros tiveram como objetivo compartilhar as histórias reunidas na publicação e incentivar a coleta de novos relatos da comunidade.
Mais do que um livro, “Mel da Ilha – um povo e suas histórias” é um documento afetivo e histórico que valoriza a memória oral, fortalece a identidade cultural da Ilha do Mel e registra experiências que ajudam a compreender a formação e a resistência das comunidades tradicionais do litoral paranaense.
A primeira reimpressão da obra representa uma conquista coletiva e demonstra o interesse crescente em preservar e divulgar as histórias de quem ajudou a construir a Ilha do Mel ao longo das últimas décadas.
O novo momento da obra será celebrado durante a 5ª edição da FLIMO – Festa Literária de Morretes, que acontece entre os dias 4 e 7 de junho de 2026. Consolidada como um dos mais importantes encontros literários do Paraná, a festa reúne escritores, leitores, artistas e agentes culturais em uma ampla programação gratuita composta por rodas de conversa, oficinas, lançamentos de livros, apresentações culturais e atividades voltadas para todas as idades.
É neste cenário dedicado à valorização da literatura e da memória que “Mel da Ilha – um povo e suas histórias” ganha novo destaque. O lançamento da reimpressão representa não apenas a continuidade de um projeto editorial, mas também o reconhecimento da importância dos saberes tradicionais, das narrativas orais e da história dos moradores da Ilha do Mel, preservados pelas palavras de Ângela Gonçalves.
A participação na FLIMO amplia o alcance da obra para novos leitores e reforça seu papel como documento histórico e cultural do litoral paranaense. Ao reunir relatos de diferentes gerações, o livro contribui para manter viva a identidade caiçara da Ilha do Mel e valoriza a memória coletiva de uma comunidade que segue resistindo e preservando suas tradições.
Lançamento da reimpressão do livro “Mel da Ilha – um povo e suas histórias”
Data: durante a programação da 5ª Edição do FLIMO – Festa Literária de Morretes
Período da FLIMO: de 4 a 7 de junho de 2026
Local: Morretes (PR)
Programação completa: FLIMO – Festa Literária de Morretes
Fotos da autora e da obra estão disponíveis em:
www.linktr.ee/meldailha