Demandas por intervenção interna e críticas à resposta do governo
Após ataques mortais na Nigéria, cidadãos rejeitam intervenção externa e clamam por soluções locais.
No dia 5 de outubro de 2023, em Lagos, Nigéria, cidadãos demandam intervenções internas para lidar com a crescente violência, ao mesmo tempo em que Donald Trump sugere uma invasão militar em resposta a alegações de genocídio contra cristãos.
A realidade da violência na Nigéria
Lawrence Zhongo, um agricultor da vila de Miango, perdeu familiares e amigos em ataques violentos nos últimos anos. Somente em abril, 50 pessoas foram mortas em um ataque em Zike, e a escalada da violência tem deixado os moradores em estado de desespero. Segundo Zhongo, a situação de segurança é insustentável, e muitos já perderam a esperança nas autoridades para proteger suas vidas e propriedades. Desde 2001, pelo menos 1.207 pessoas foram mortas na região, e a insegurança tem gerado uma crise alimentar, pois os agricultores não conseguem acessar suas terras.
Rejeição à intervenção externa
Apesar das ameaças de Trump, muitos nigerianos, incluindo Zhongo, acreditam que a solução deve ser interna. O presidente nigeriano, Bola Tinubu, também rejeitou as alegações dos EUA, afirmando que a caracterização do país como intolerante não reflete a realidade nacional. A situação é complexa, com ataques afetando tanto cristãos quanto muçulmanos, e a polarização entre as comunidades tem aumentado. Aliyu, um pastor muçulmano, expressou sua preocupação com a divisão entre diferentes grupos, lembrando de tempos em que ambos conviviam pacificamente.
Desafios na resposta governamental
O governo nigeriano lançou planos para resolver as tensões entre fazendeiros e pastores, mas a implementação tem enfrentado dificuldades significativas. A falta de liderança política e recursos tem dificultado a eficácia das operações militares contra os grupos armados. Especialistas afirmam que a abordagem deve incluir a resolução de questões subjacentes, como a pobreza e a falta de infraestrutura, para que a segurança seja efetivamente restaurada.
Perspectivas futuras
Enquanto a comunidade internacional observa atentamente, a necessidade de uma estratégia que priorize a intervenção local e o fortalecimento das instituições de segurança se torna cada vez mais evidente. Zhongo e outros nigerianos esperam que o governo tome medidas decisivas para enfrentar a violência sem exacerbar a crise existente. “Acho que o governo nigeriano pode fazer isso se realmente estiver disposto a lutar contra os terroristas”, concluiu.
Fonte: www.aljazeera.com
Fonte: Reuters]