A política de intervenção militar dos EUA reacende tensões históricas na região.
A nova ofensiva militar de Trump na América Latina reativa questões históricas de hegemonia e controle.
As recentes ações dos Estados Unidos na América Latina, impulsionadas pelo segundo mandato de Donald Trump, revelam um padrão histórico de intervenção que busca manter a hegemonia norte-americana sobre sua zona de influência.
Intervenções militares e a Doutrina Monroe
Desde a Doutrina Monroe, que data de 1823, os EUA adotam uma postura de defesa de seus interesses estratégicos na região. Com o Corolário Roosevelt, que legitima intervenções diretas, a política americana se transformou em uma forma de ‘polícia internacional’. A retórica atual de Trump, que se intensificou após suas ameaças de atacar países envolvidos na produção de drogas, é uma continuação desse legado.
O ataque à Venezuela: um novo capítulo
No início de janeiro de 2025, os EUA bombardearam a Venezuela, capturando o presidente Nicolás Maduro. Essa ação foi justificada sob o argumento de combater o narcoterrorismo, uma narrativa que permite a Trump justificar intervenções militares em nome da segurança nacional. Além disso, a Casa Branca classificou o governo Maduro como um patrocinador do tráfico internacional de drogas, criando um pretexto moral para a ação militar.
A retórica militar e suas consequências
A operação militar no Caribe, que envolve cerca de 15 mil soldados americanos, já resultou na destruição de embarcações ligadas ao tráfico. No entanto, a falta de provas concretas sobre essas ligações levanta questões sobre a legitimidade das ações. Com um discurso que reforça a necessidade de uma ‘guerra contra as drogas’, Trump busca legitimar novas formas de intervenção na América Latina, criando um ambiente de tensão crescente.
Pressões sobre a Colômbia e o Brasil
Trump também tem se voltado para a Colômbia, acusando o presidente Gustavo Petro de liderar o tráfico de drogas e suspendendo subsídios a Bogotá. Essa escalada de retórica militar pode ser vista como uma tentativa de desestabilizar governos que não se alinham com os interesses dos EUA, enquanto o Brasil tenta equilibrar sua relação com Washington, evitando novos conflitos econômicos e pressões militares.
O impacto global da nova estratégia
Essas ações revelam uma tentativa de Trump de reafirmar a hegemonia dos EUA em um mundo em transformação, onde a América Latina se torna um espaço de compensação geopolítica. O discurso antidrogas mascara um objetivo maior: a reconstituição do domínio estratégico dos EUA. Essa combinação de retórica, ação militar e interesses econômicos sugere que a região está mais uma vez no centro da geopolítica global, não por escolha própria, mas devido à necessidade dos EUA de reafirmar seu poder.
Conclusão
Sob a administração Trump, a América Latina enfrenta uma realidade complexa, onde as ações militares e a retórica agressiva reabrem feridas históricas de intervenção. O futuro da região dependerá de como seus líderes responderão a essas pressões e da capacidade de resistir a uma nova ordem imposta por Washington.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Otávio Augusto
