Novo estudo desmistifica ligação direta entre menopausa e diabetes; foco deve ser em fatores cardiometabólicos

menopausa e diabetes
Foto: Envato

Pesquisa com quase 147 mil mulheres mostra que o risco de diabetes na pós-menopausa está ligado a obesidade e estilo de vida, não ao momento ou tipo de menopausa; Instituto GRIS reforça importância de prevenção

Um novo estudo publicado na revista Menopause, da The Menopause Society, concluiu que nem o momento nem o tipo de menopausa (natural ou cirúrgica) estão independentemente associados ao risco de desenvolver diabetes tipo 1 ou tipo 2. A análise, feita em uma enorme corte de 146.764 mulheres acompanhadas por 14,5 anos, revela que fatores modificáveis como obesidade, tabagismo, dieta e outros aspectos cardiometabólicos explicam melhor o risco de diabetes na pós-menopausa do que a própria menopausa em si.

Segundo Alexandra Ongaratto, médica especializada em ginecologia endócrina e climatério e Diretora Técnica do Instituto GRIS, a descoberta oferece um novo olhar sobre a interação entre transição menopausal e saúde metabólica e reforça a necessidade de abordagens mais amplas de prevenção e cuidado para mulheres em meia-idade.

Menopausa não altera o risco de diabetes por si só

Dados do estudo mostram que, apesar de a incidência de diabetes ser numericamente maior entre mulheres que experimentaram menopausa precoce ou prematura, essa associação desaparece totalmente após ajuste para fatores como idade, peso, tabagismo e variáveis comportamentais. Ou seja, o aumento do risco observado inicialmente não se deve à menopausa por si só, mas aos fatores cardiometabólicos que muitas vezes acompanham a transição para a pós-menopausa.

Embora mulheres na pós-menopausa frequentemente apresentem alterações metabólicas, como maior adiposidade central e resistência à insulina, a nova evidência sugere que essas mudanças refletem mais os fatores de estilo de vida e saúde geral do que uma relação causal com a idade ou tipo de menopausa.

“Esses achados são importantes para desmistificar a menopausa como fator isolado de risco para diabetes,” diz Alexandra. Para a ginecologista, o estudo é um alerta para que profissionais de saúde e pacientes evitem conclusões simplistas, “a menopausa vem acompanhada de muitas mudanças biológicas, mas isso não significa que ela, por si só, ‘causa’ diabetes. O que esse grande estudo nos mostra é que o que eleva de verdade o risco são fatores como obesidade, sedentarismo, tabagismo e alimentação inadequada”.

Alexandra ressalta que a compreensão correta desses riscos é essencial para o cuidado clínico integral da mulher, pois quando a atenção se volta para fatores modificáveis, dieta, atividade física, controle de peso e pressão arterial, “ nós damos passos concretos na prevenção do diabetes. Isso é uma mensagem positiva para mulheres que muitas vezes acreditam que a menopausa seja sinônimo de doença inevitável”, explica.

Evidências científicas complementares

Revisões anteriores mostram que idade avançada e mudanças hormonais podem influenciar metabolismo e sensibilidade à insulina, mas a associação direta entre menopausa e diabetes sempre foi inconsistente. Uma meta-análise recente indicou risco aumentado de diabetes em mulheres que tiveram menopausa precoce, embora a heterogeneidade dos estudos tenha limitado conclusões firmes.

Além disso, dados epidemiológicos brasileiros apontam que fatores como obesidade e sedentarismo são determinantes essenciais do diabetes tipo 2 em mulheres de meia-idade em geral, reforçando o foco na prevenção cardiovascular.


O papel do cuidado clínico integrado

Alexandra enfatiza que, embora a menopausa não seja um fator independente de risco de diabetes, ela representa uma janela de oportunidade para intervenções preventivas intensificadas, “a transição menopausal é um momento chave para reforçar cuidados com saúde metabólica, revisar hábitos de vida e prevenir doenças crônicas. Se abordarmos obesidade, alimentação, atividade física e tabagismo de forma proativa, podemos reduzir significativamente o risco de diabetes e de outras complicações”, finaliza.

 

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