Da bagagem multicultural em transatlânticos ao design de marcas, fotógrafa curitibana revela como a imagem pessoal humaniza, gera conexão e eleva o faturamento de empreendedoras
No dinâmico universo do empreendedorismo feminino, a imagem deixou de ser um mero detalhe estético para se tornar um dos ativos mais valiosos de posicionamento de mercado. Quem compreende essa engrenagem com precisão cirúrgica é a fotógrafa e designer Bruna Mereu. Com uma trajetória sólida que pulsa no mercado desde 2013, Bruna consolidou sua assinatura em Curitiba ao unir duas frentes indispensáveis para o sucesso digital de qualquer marca: a estratégia técnica e a leveza do acolhimento.
Nesta entrevista exclusiva para a coluna Bora, Empreender?!, ela resgata sua bagagem internacional, revela os bastidores de como desarmar a timidez diante das lentes e prova que uma fotografia inteligente mexe diretamente no bolso e na autoridade de uma empresa.
A Estética do Design e a Escola dos Sete Mares
A precisão visual de Bruna não nasceu por acaso. Antes de comandar os cliques, sua escola foi a estrutura do Design e a minúcia da edição de álbuns. Essa bagagem trouxe um repertório refinado em ciência das cores e história da arte, permitindo que ela construísse fotos que exigem o mínimo de pós-produção. “Isso ajuda a deixar as fotos ainda mais verdadeiras”, pontua.
Mas foi a bordo de navios de cruzeiro, fotografando em um ambiente dinâmico e multicultural, que Bruna lapidou seu maior diferencial: a sensibilidade no atendimento ao cliente.
“Muitas vezes eu não falava o idioma da pessoa e era preciso me fazer entender, e entender o que ela queria. Essa vivência me ajudou a desenvolver uma percepção maior, antecipando problemas e prestando atenção em coisas que nem sempre são comunicadas em voz alta”, relembra.
Hoje, esse olhar clínico é direcionado para captar as inseguranças e os desejos ocultos das empreendedoras locais.

O Despertar da Identidade Empreendedora
O ponto de virada na carreira da fotógrafa aconteceu em 2024, quando decidiu nichar sua atuação e focar exclusivamente na fotografia de marca pessoal para mulheres. A transição foi impulsionada por uma dor que ela mesma sentiu na pele: a dificuldade de se enxergar como dona do próprio negócio.
“Para mim, eu era mais ‘freelancer’ do que empresa. E percebi que isso era comum entre as mulheres. Parece que, se nos rotulamos empreendedoras, estamos sendo ‘arrogantes’”, desabafa Bruna. O estalo veio quando, ao realizar um ensaio de sua própria marca, ela finalmente se viu como a empresária que já era. Ao notar a mudança imediata na percepção do público e o aumento do respeito profissional, ela transformou esse propósito em missão: “Proporcionar que minhas clientes se vejam e se permitam ser vistas como as profissionais incríveis que são, valorizando o seu jeito único”.

Foto Bonita Não Vende; Foto Estratégica Conecta
Um dos grandes mitos que Bruna combate diariamente no mercado é a ideia de que a fotografia corporativa resume-se a um “retrato bonito” para o perfil das redes sociais. Para ela, estética sem propósito não gera faturamento.
“Foto bonita é diferente de foto que comunica. Se a cliente quer aumentar seu ticket, por exemplo, construímos imagens que ajudem a agregar valor à marca e aos serviços dela. Se quer atrair mais clientes, o pilar é a conexão”, explica. O grande segredo, revela a fotógrafa, está no fato de que o ensaio começa muito antes do primeiro clique, através de uma imersão profunda na história, nos objetivos e na rotina de conteúdo de cada profissional.

Bastidores: O Segredo para Desarmar a Timidez
Apostando na premissa de que a autoridade flui melhor quando há espontaneidade, Bruna desenvolveu uma tática infalível para quebrar o gelo e acolher mulheres que, muitas vezes, têm vergonha das câmeras. O ensaio é conduzido como um leve “momento entre amigas”.
Durante a sessão, a fotógrafa resgata histórias e paixões conversadas no planejamento prévio. “É muito interessante o brilho no olhar que surge quando elas falam do seu trabalho, parece que seu semblante se ilumina. Uso isso para que ela se sinta à vontade, se desligue do mundo lá fora e foque nela mesma”, detalha.
Da Sobrevivência à Gestão de Sucesso
Olhando para trás, Bruna reconhece que o maior desafio ao longo desses 13 anos de estrada foi a virada de chave mental para assumir as rédeas da gestão financeira, do marketing e do relacionamento. Dominar o ecossistema do negócio foi o que a tirou do modo “empreender para sobreviver” e abriu portas para o planejamento e a longevidade da marca.
Para as mulheres que estão iniciando sua jornada no concorrido mercado brasileiro, Bruna resume seus aprendizados em três pilares fundamentais:
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Empreender não é linear: “Mesmo as grandes empresas têm altos e baixos, o segredo é tirar o melhor ensinamento de cada fase.”
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Não se compare: “Muitas pessoas medem seu próprio sucesso com a régua dos outros e se frustram. Seu sucesso só pode ser medido por você mesma.”
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Juntas somos mais fortes: “Participe de comunidades de empreendedoras e de eventos. Nada melhor que ter uma rede que te entende, apoia e caminha junto.”

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Fonte: Bruna Mereu. / Fotos: Divulgação: Fotógrafa Bruna Mereu.