O preço da cadeira vazia

Moro não foi ao debate da Band
Moro não foi ao debate da Band

Sergio Moro pode até ter feito uma conta eleitoral ao decidir não participar do primeiro debate da Band. Quem lidera pesquisas, em tese, tem mais a perder do que a ganhar numa noite de confronto direto.

Mas existe um problema nessa estratégia: a cadeira fica vazia, o assunto não.

Moro continuou presente durante o debate. Foi citado, criticado e transformado em alvo pelos adversários. A diferença é que não estava lá para responder.

Sandro Alex talvez tenha sido quem melhor aproveitou a ausência. Sem Moro no estúdio, procurou ocupar o espaço político da direita e falar diretamente com um eleitorado que será decisivo na campanha. Requião Filho, por outro lado, explorou a ausência para levantar dúvidas sobre a disposição do senador para o confronto.

Moro afirmou que não participaria de um ambiente de ataques combinados e de uma espécie de “rinha de galo”. É um argumento compreensível dentro de sua estratégia. Mas debate eleitoral, desde sempre, é também confronto, contraditório e exposição.

Uma ausência dificilmente decide uma eleição. Pode até ser uma decisão inteligente de campanha.

O problema começa se virar hábito.

Porque, em política, uma cadeira vazia também comunica. E, quando o candidato não ocupa o espaço, alguém ocupa por ele.

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Diniz Neto
dinizne@gmail.com
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