O que acontece com o lixo após a coleta nas cidades brasileiras

Entenda a trajetória dos resíduos sólidos e os desafios da gestão urbana

Explore a complexa jornada do lixo urbano após a coleta e os desafios enfrentados.

A gestão do lixo urbano no Brasil enfrenta um dos maiores desafios do planejamento urbano contemporâneo. Com uma produção diária de cerca de 160 mil toneladas de resíduos, a situação se torna ainda mais complexa em grandes cidades como São Paulo, que sozinha é responsável por cerca de 12 mil toneladas desse total. Essa realidade exige uma reflexão profunda sobre o que acontece com o lixo após sua coleta.

A trajetória dos resíduos sólidos no Brasil

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelece um caminho ideal para a gestão do lixo, que inclui etapas como geração, coleta, tratamento, destinação e disposição final. A geração ocorre em residências, comércios e serviços, onde o resíduo é produzido. A coleta, que pode ser convencional ou seletiva, é a fase em que as equipes de limpeza urbana retiram os materiais, mas a separação nem sempre é realizada adequadamente.

O tratamento dos resíduos busca dar um novo destino a parte do material coletado, através de processos como a reciclagem e compostagem. A destinação refere-se ao encaminhamento dos resíduos a unidades apropriadas, enquanto a disposição final é a etapa em que os materiais não reaproveitáveis são enviados para aterros sanitários. No entanto, na prática, muitos resíduos coletados acabam diretamente nos aterros, sem que passem pelas etapas de triagem e reaproveitamento.

Realidade da coleta e descarte

Infelizmente, a maior parte dos resíduos urbanos no Brasil é levada a locais inadequados para o descarte. A falta de separação na fonte, somada à ausência de coleta seletiva em muitos bairros, resulta em uma mistura de materiais recicláveis com lixo comum. Isso não apenas compromete a reciclagem, mas também cria uma sobrecarga nos aterros, que recebem não apenas rejeitos, mas também recicláveis e resíduos orgânicos, que podem contaminar o solo e a água subterrânea.

O contato direto do lixo com o solo em áreas sem controle ambiental pode liberar líquidos contaminantes, que se infiltram e afetam os recursos hídricos locais. A decomposição dos resíduos orgânicos gera gases que contribuem para o aquecimento global, uma situação alarmante considerando os níveis elevados de emissões de CO2 já presentes no planeta. Além disso, a presença de lixões e áreas de descarte descontroladas fomenta a proliferação de vetores de doenças, como insetos e roedores, afetando diretamente a saúde pública.

Desafios da gestão de resíduos

O cenário desolador é agravado pela falta de infraestrutura e planejamento organizado nas cidades. A coleta seletiva é insuficiente e abrange apenas alguns bairros, enquanto as unidades de reciclagem e compostagem são limitadas. Mesmo com legislações que prevêem responsabilidades compartilhadas entre governo e população, as práticas efetivas de gestão de resíduos são raras.

Para mudar essa realidade, é crucial implementar medidas efetivas, como ampliar a coleta seletiva, investir em infraestrutura e educar a população sobre a importância da separação dos resíduos. Essas ações podem contribuir para reduzir o volume de lixo enviado aos aterros e promover a sustentabilidade.

A gestão eficiente dos resíduos sólidos não é apenas uma necessidade ambiental, mas uma obrigação social. Portanto, a conscientização e mobilização da sociedade são fundamentais para reverter esse quadro e garantir um futuro mais saudável e sustentável.

Fonte: www.metropoles.com

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