O que é o Sistema Endocanabinoide e como o CBD funciona no corpo

Especialista detalha como o canabidiol interage com receptores do corpo humano e auxilia na regulação de funções como dor, sono, ansiedade e inflamação

O canabidiol (CBD), substância extraída da planta Cannabis sativa, tem despertado crescente interesse da medicina e da ciência por sua atuação no Sistema Endocanabinoide, estrutura biológica responsável pela manutenção do equilíbrio do organismo. Segundo o Dr. Adam de Lima Alborta, médico e clínico geral, o CBD atua como modulador fisiológico, auxiliando o corpo a regular funções ligadas ao sistema nervoso, imunológico e metabólico.

O tema ganha relevância diante do aumento das pesquisas sobre cannabis medicinal e da busca por alternativas terapêuticas para quadros como ansiedade crônica, dores persistentes, distúrbios do sono e inflamações recorrentes. O especialista destaca que o CBD não provoca efeitos psicoativos e deve ser utilizado com acompanhamento médico adequado.

“O Sistema Endocanabinoide é composto por receptores distribuídos em diferentes regiões do corpo. Eles funcionam como sensores biológicos responsáveis pela regulação de processos essenciais, incluindo dor, inflamação, humor, sono, apetite, resposta ao estresse, funcionamento intestinal e equilíbrio imunológico. Entre os principais receptores estão o CB1 e o CB2, que desempenham funções específicas no organismo”, explica Dr. Adam.

Os receptores CB1 estão concentrados principalmente no sistema nervoso central e periférico, incluindo cérebro, medula espinhal e nervos. Eles participam da regulação da dor, da ansiedade, do humor, da memória e do controle motor. Já os receptores CB2 são encontrados com maior frequência no sistema imunológico, como no baço, intestino, linfonodos e células inflamatórias, atuando diretamente no controle de inflamações e respostas imunes exageradas.

De acordo com o especialista, o CBD age justamente na comunicação entre esses sistemas. “O CBD não ‘liga’ o corpo. Ele ajuda o corpo a se regular. O canabidiol atua como um modulador fisiológico, auxiliando o organismo a sair de estados de desequilíbrio e retornar à homeostase, que é o equilíbrio natural do corpo”, destaca. O médico ressalta ainda que o CBD não deve ser interpretado como uma solução milagrosa, mas sim como uma ferramenta terapêutica baseada em evidências fisiológicas e científicas. “Na prática clínica, costumo explicar que o CBD não substitui o corpo; ele ensina o corpo a funcionar melhor sozinho. Muitos quadros de ansiedade, inflamação e dor persistente têm relação com um sistema regulador sobrecarregado. O CBD atua exatamente nesse ponto”, ressalta.

Nos últimos anos, o avanço das discussões sobre cannabis medicinal ampliou o interesse público e científico sobre os potenciais terapêuticos do canabidiol. Estudos internacionais e observações clínicas têm investigado o uso do CBD em diferentes contextos médicos, especialmente em situações relacionadas ao controle da dor, modulação inflamatória, qualidade do sono e saúde mental. “Porém, o uso deve ser individualizado e sempre acompanhado por profissionais habilitados”, comenta o médico.

Além da atuação no sistema nervoso e imunológico, o Sistema Endocanabinoide é considerado um dos principais mecanismos biológicos de manutenção da homeostase — processo responsável por manter o equilíbrio interno do organismo diante de fatores externos e internos. “Por isso, a interação do CBD com esses receptores vem sendo estudada como estratégia complementar em tratamentos que envolvem desequilíbrios fisiológicos e inflamatórios”, completa Dr. Adam.

 

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