O papel do apito nos protestos contra a repressão da imigração de Trump

The Guardian

O apito se torna símbolo da resistência contra a ICE nos EUA

O uso de apitos se torna um símbolo potente nos protestos contra a ICE sob Trump.

O apito se tornou um dos principais instrumentos de protesto contra a repressão da imigração promovida pela administração Trump. Com a crescente presença da ICE (Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira) em comunidades vulneráveis, ativistas têm utilizado o apito como um sinal de alerta para informar a população sobre a atividade de agentes nas redondezas. Esta prática tem suscitado polêmicas e críticas por parte de figuras conservadoras, que a rotulam como um ato de violência.

A origem do uso do apito nos protestos

O uso do apito como um símbolo de resistência surgiu em resposta à intensificação das políticas anti-imigração. Ativistas de organizações como o Hands Off NYC desenvolveram um código simples: apitar em curtas sequências para alertar sobre a presença da ICE, e em longas sequências quando há uma detenção em andamento. A ideia é criar uma rede de solidariedade onde os membros da comunidade possam se proteger e se informar mutuamente sobre potenciais ameaças.

As “festa de apitos” em Chicago, onde mais de 150.000 apitos foram distribuídos, exemplificam a rápida adoção desta ferramenta como uma forma de resistência coletiva. O movimento se espalhou para outras cidades, incluindo Milwaukee, Nova York, Portland e Los Angeles, demonstrando a crescente mobilização contra a repressão da imigração.

Reações da direita e controvérsias

A popularidade do apito tem atraído a ira de figuras conservadoras. O streamer Steven Crowder e o comentarista Mike Cernovich se manifestaram publicamente, argumentando que o uso do apito deveria ser considerado um ato violento. Crowder chegou a dizer que mulheres que usaram apitos durante um protesto estavam cometendo “assalto” contra os oficiais de ICE. Já Megyn Kelly foi ainda mais longe, insinuando que o uso do apito contribuiu para a morte de Alex Pretti, um imigrante cuja morte foi atribuída ao confronto com a ICE. Para Kelly, o apito representa uma “perturbação da paz” e deveria ser reprimido.

Essas críticas refletem uma tentativa de deslegitimar um meio pacífico de protesto e de silenciar vozes que se opõem à política de imigração do governo. A retórica em torno do apito, que é percebido como uma ferramenta de solidariedade, é distorcida para caracterizá-lo como uma arma de desordem pública.

O impacto do apito no futuro dos protestos

O crescente uso do apito não só reforça a solidariedade entre as comunidades, mas também amplia o debate sobre a liberdade de expressão e os métodos de protesto. Com o respaldo de figuras públicas, como a congressista Rashida Tlaib, que usou um apito durante uma sessão da Câmara dos Representantes, o apito se posiciona como um símbolo da resistência contra a opressão.

A utilização do apito em eventos de alto perfil, como premiações e conferências, ajuda a aumentar a visibilidade das questões de imigração, enquanto cidadãos comuns encontram formas criativas de se opor a políticas que consideram injustas. Essa dualidade entre a reação da direita e a resiliência dos ativistas indica que o apito, longe de ser um mero objeto, se transformou em um poderoso símbolo de luta e unidade.

Conclusão

Os protestos contra a repressão da imigração nos Estados Unidos, catalisados pelo uso do apito, revelam uma nova forma de resistência. Enquanto a administração Trump e seus aliados tentam deslegitimar essa prática, ativistas mostram que a voz da comunidade pode ser expressa de maneiras inovadoras e impactantes. O apito, portanto, não é apenas um som; é um chamado à ação e à solidariedade em tempos de crise.

Fonte: www.theguardian.com

Fonte: The Guardian

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