Conflito se intensifica com ataques aéreos e retaliações
A escalada de violência entre Paquistão e Afeganistão ganha novos contornos com ataques aéreos e declarações de guerra.
As tensões entre o Paquistão e o Afeganistão atingiram um novo pico com os ataques aéreos lançados pelo governo paquistanês contra alvos em Cabul e Kandahar. A ofensiva aconteceu na quinta-feira, 26 de fevereiro, e foi imediatamente seguida por uma declaração de “guerra aberta” feita pelo ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, em resposta a ataques de forças afegãs que resultaram em baixas entre as tropas paquistanesas.
Contexto histórico do conflito entre Paquistão e Afeganistão
As relações entre Paquistão e Afeganistão são marcadas por uma longa história de desconfiança e conflitos. Desde a retirada das tropas americanas do Afeganistão, a situação na região se tornou ainda mais volátil, com o Talibã retomando o controle. O Paquistão, que historicamente teve uma influência significativa sobre o Talibã, tem acusado o governo afegão de não agir contra grupos insurgentes que operam no território, incluindo o Estado Islâmico. Essa acusação tem sido um ponto central em suas justificativas para ações militares.
Nos últimos meses, a escalada de violência aumentou, especialmente após confrontos mortais em outubro que deixaram mais de 70 mortos. As tentativas de mediação por países como Catar, Turquia e Arábia Saudita falharam em estabelecer um cessar-fogo duradouro, e a fronteira entre os dois países permanece praticamente fechada, exacerbando a crise humanitária na região.
A atual escalada de violência
Os recentes bombardeios resultaram em explosões que ecoaram por Cabul, com jatos paquistaneses sobrevoando áreas próximas à residência do líder supremo do Talibã. Durante os ataques, tanto o Paquistão quanto o Afeganistão relataram a morte de dezenas de soldados. Além disso, civis também foram afetados, com feridos registrados, incluindo refugiados que tentavam retornar ao Afeganistão.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, confirmou as operações militares do Paquistão e anunciou que o governo afegão conduzirá “operações ofensivas em larga escala” em resposta, o que indica que o cenário de conflito pode se intensificar ainda mais. Essa escalada representa uma ameaça significativa à segurança regional, com o potencial de arrastar outros atores internacionais para a contenda.
Consequências e implicações futuras
As ações militares do Paquistão e a resposta do Talibã podem ter consequências de longo alcance para a estabilidade na região. Com as relações já deterioradas, qualquer nova retaliação pode levar a uma guerra prolongada, com impacto direto sobre a população civil. A crise humanitária, já crítica, pode se agravar com o fechamento da fronteira e a intensificação dos combates.
Além disso, a comunidade internacional deve prestar atenção a esse conflito, uma vez que ele pode repercutir em questões de segurança global, especialmente com o aumento das atividades de grupos extremistas. O futuro da relação entre Paquistão e Afeganistão depende de esforços diplomáticos ou da possibilidade de um cessar-fogo que possa trazer algum alívio para a população civil afetada por essa guerra silenciosa, mas devastadora.
Conclusão
O cenário de conflito entre Paquistão e Afeganistão continua a se desdobrar, com uma pressão crescente sobre ambos os governos. Este novo capítulo de violência pode ser apenas o começo de uma série de confrontos que exigem atenção imediata e ações coordenadas da comunidade internacional para evitar um colapso ainda maior na região.
Fonte: www.metropoles.com