O Paquistão executou ataques aéreos em 10 pontos no Afeganistão, que, conforme relato do ministro da Informação, Attaullah Tarar, eram utilizados para o lançamento e armazenamento de drones. Esses equipamentos, que foram empregados contra o Paquistão um dia antes, motivaram a ação militar anunciada nesta quinta-feira (24).
As ofensivas ocorrem em um contexto de crescente tensão entre as duas nações, que, apesar de terem sido aliadas no passado, agora enfrentam divergências significativas sobre militantes islamistas. Este conflito se intensificou em fevereiro, resultando nos piores combates entre os países em anos. Islamabad responsabiliza Cabul por abrigar grupos militantes que realizam ataques transfronteiriços. Em contrapartida, o governo do Talibã no Afeganistão rejeita essa acusação, alegando que a militância é um problema interno do Paquistão.
Na quarta-feira, os sistemas de defesa aérea do Paquistão identificaram drones provenientes do território afegão. Tarar informou que esses dispositivos foram rastreados e neutralizados antes que pudessem atingir seus alvos. Após esse incidente, o Paquistão lançou ataques aéreos e com drones de precisão, focados em locais militares específicos relacionados às tentativas de ataque. O ministro enfatizou que qualquer provocação adicional por parte do Talibã será confrontada de maneira firme.
Os bombardeios foram realizados em diversas áreas da província de Khost, no sudeste do Afeganistão, conforme informações de Mustaghfir Gurbaz, porta-voz do governador local. Ele relatou que não houve vítimas em decorrência das ações. No entanto, um ataque ocorrido na semana anterior em uma instalação policial no noroeste do Paquistão resultou na morte de pelo menos 24 pessoas, reacendendo os conflitos entre os dois países após um período de relativa tranquilidade de quase três meses.
Além disso, o governo paquistanês declarou que, nesta semana, havia realizado ataques aéreos na região de fronteira, resultando na morte de 28 militantes. Por outro lado, Autoridades do Talibã acusaram Islamabad de ter causado a morte de três civis durante incursões noturnas em território afegão.
O episódio mais grave registrado até agora ocorreu em março, com um ataque aéreo paquistanês em Cabul que resultou na morte de mais de 400 pessoas. O Talibã alegou que o ataque atingiu um centro de reabilitação para dependentes químicos. Islamabad, por sua vez, negou as acusações, afirmando que suas ações foram direcionadas com precisão a instalações militares e infraestrutura de apoio a terroristas.