Doença fúngica grave e pouco notificada provoca internações contínuas e alta despesa hospitalar no sistema público de saúde
Paracoccidioidomicose custou R$ 25,5 milhões ao SUS em 9 anos, com internações que revelam avanço da doença fúngica pouco conhecida no Brasil.
Impacto econômico da paracoccidioidomicose no SUS entre 2017 e 2025
A paracoccidioidomicose tem causado um impacto econômico significativo no Sistema Único de Saúde (SUS), gerando um gasto total de R$ 25,5 milhões entre 2017 e agosto de 2025. Esses custos referem-se exclusivamente aos atendimentos hospitalares diretos, incluindo diárias de internação, procedimentos médicos e medicamentos. A doença, embora pouco conhecida, exige internações constantes, que refletem seu avanço e gravidade no país.
Distribuição geográfica e perfil das internações por paracoccidioidomicose
Os dados indicam que a paracoccidioidomicose não é um evento isolado, mas uma demanda permanente em todo o Brasil, especialmente em estados com áreas rurais e agricultura expansiva. São Paulo lidera com 770 internações, concentrando mais de 50% dos gastos nacionais. Minas Gerais, Rondônia, Rio de Janeiro, Paraná e Goiás também registram números relevantes. Estados como Rondônia e Paraná apresentam custos hospitalares elevados por internação, evidenciando casos mais graves e complexos.
Características clínicas e desafios no tratamento da paracoccidioidomicose
Mais da metade das internações (53,6%) decorre das formas pulmonares e disseminadas da doença, que afetam múltiplos órgãos e demandam tratamentos intensivos. A infecção se transmite pela inalação dos esporos do fungo presente no solo, especialmente quando este é revolvido. Trabalhadores rurais, garimpeiros e da construção civil estão entre os mais vulneráveis. A gravidade dos quadros e a ausência de diagnóstico e tratamento precoces aumentam o risco de mortalidade.
Limitações do sistema de notificação e diagnóstico da paracoccidioidomicose no Brasil
A paracoccidioidomicose ainda não integra a lista nacional de notificação compulsória do Ministério da Saúde, o que dificulta a coleta de dados e a formulação de políticas públicas eficazes. Apenas sete unidades federativas realizam testes diagnósticos específicos, evidenciando desigualdades regionais. A falta de padronização nacional no diagnóstico e tratamento impede intervenções rápidas e eficazes, contribuindo para o agravamento dos casos e a alta demanda por internações hospitalares.
Perspectivas para controle e prevenção da paracoccidioidomicose no país
Especialistas ressaltam a necessidade de inclusão da paracoccidioidomicose na lista nacional de notificação compulsória para melhorar o monitoramento epidemiológico. Além disso, a ampliação do acesso a testes diagnósticos e a adoção de novos antifúngicos podem contribuir para tratamentos mais eficazes e curtos, reduzindo o abandono terapêutico e a mortalidade. Investir em políticas públicas que atendam as populações rurais vulneráveis é fundamental para conter o avanço desta doença negligenciada.

Fonte: www.metropoles.com
Fonte: colorida do paciente Antonio Rodrigues, que tem a doença paracoccidioidomicose
